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Publicado em: 26/04/2010

Em homenagem ao grande clássico de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas ainda que, aproveitando o momento do lançamento do longa-metragem baseado no livro dirigido por Tim Burton, venho reviver a animação produzida pela Walt Disney em 1951, a qual foi grande alvo de críticas negativas pelo público e especialistas do gênero. Talvez  devido o estúdio ter mexido em uma obra bem conhecida e adorada, ou ao contrário de Cinderela e Branca de Neve, a personagem Alice ser apenas uma espectadora das coisas ocorridas ao seu redor, não apresentando nenhum propósito ou dilema. 

 

trailer dublado Alice no País das Maravilhas (1951)

 

Antes disso, no ano de 1923, a Disney iniciou uma série de desenhos chamado de The Alice Comedies, onde, gerou bastante sucesso em meio a 50 episódios. Na década de 30, a empresa planejava em realizar uma versão da personagem em live-action enquanto todo o resto seria animação. No entanto, preferiu não arriscar cedendo aos encantos de Branca de Neve e os Sete Anões. Posteriormente, o projeto foi ressuscitado embora, desta vez fosse cem por cento animado, contudo, chegou a Segunda Guerra Mundial e mais uma vez, Alice retorna aos arquivos. Mas, foi diante aos bons fluídos gerados pelo filme Cinderela, é que Alice no País das Maravilhas consegue se projetar nos cinemas

 

trailer original Alice no País das Maravilhas (1951)

 

Alguns acreditam que a animação sobre Alice foi o maior prejuízo realizado pela Disney, pois, ela não agradou o público, os críticos e não rendeu dinheiro. A trama da menina curiosa e cansada de seu mundo monótono caindo no maluco País das Maravilhas ao seguir o apressado Coelho Branco em frente às figuras como Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, o Gato Risonho, a lagarta, a Lebre, o Chapeleiro Maluco e A Rainha Branca e Vermelha, ficou em segundo lugar em referência a questionamentos profundos sobre as suas mensagens subliminares e psicodélicas.  O fato é, o longa se distingue entre todos os outros trabalhos do estúdio por fugir de seu padrão. Ou seja, a protagonista não possui um objetivo em foco, apenas vê as coisas da sua maneira sem revelar alguma lição a ser aprendida.

 

Chá para o desaniversário

 

Os diálogos de Alice com as criaturas que encontra no decorrer a viajem são reflexivos e inteligentes, fazendo alguns críticos afirmarem serem impróprios para crianças, além da falta de uma figura principal com maior personalidade poder ter deixado algumas pessoas indiferentes a animação. No entanto, esqueceram de avaliar os seus aspectos técnicos. O louvor vai para a artista Mary Blair em vista ter retratado cenários detalhados e fiéis a realidade no mundo da garota, enquanto, o País das Maravilhas é mostrado em formas exageradas e irregulares, com texturas estilizadas e grandes áreas pintadas em mínimas tonalidades de cores. Os efeitos especiais naquela época serviram de inspiração a projetos futuros, ao exemplo tem-se a lágrima gigante transformando-se em uma enchente, uma vela de um bolo estourando em fogos de artifícios e o exército de cartas de baralhos da rainha desfilando na mesma instância, em que a cornucópia de cores pisca diante de nossos olhos.

 

 

Sem falar também dos personagens, onde, os animadores trouxeram infinitas possibilidades para exibirem sua arte. Os movimentos delicados de Alice e as poses exageradas do Gato Risonho confirmam tal questão. E emoção é vista na trama sim, não com tanto exagero, porém bem mais singelo. O que dizer da Lebre fatiando a si mesma a fim de atender ao pedido da jovem por meia xícara de chá?  E a tristeza da menina cansada do mundo em que criou? Em minha opinião, essa foi a melhor adaptação da obra de Carrol, apesar de algumas modificações do original, mas, a qualidade técnica mesclada a variação da coloração das criaturas e do visual são impecáveis ainda hoje, em frente a explosão de tecnologias como IMAX, 3D e por aí vai.  

Você já viu a animação? O que acha em relação ao filme de Tim Burton?

Por Cibelle Ferraz

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