Por Januncio Neto
Primeiramente, antes de detonar tudo, é bom avisar que a crítica a seguir envolve a visão do fã, aquela pessoa que entrou em contato profundo com a história em quadrinho, e pretende levar até você uma boa ideia do que esperar sobre esta mais nova produção baseada numa HQ.

Depois do estrondoso sucesso dos quadrinhos de Kick Ass nos Estados Unidos e ao redor do mundo - no Brasil a edição encadernada ainda será lançada pela PANINI Comics - seria impossível os fãs não terem pelo menos o desejo de ver as aventuras de Dave Lizewsky, Big Daddy, Hit Girl e Red Mist no cinema mais próximo de suas casas.

E de certa forma alguns se espantaram ao ver esse desejo ser atendido de maneira tão rápida. Isso levando em conta o fato que filmes de personagens muito mais conhecidos ainda estão em produção, pré-produção ou sequer passam de meros boatos.
Matthew Vaughn foi o escolhido para levar o projeto de Mark Millar e John Romita Jr, às telas. Quando uma HQ é levada aos cinemas sempre existem inúmeras dúvidas e um número enorme de maus exemplos que provam como isso pode ser uma péssima ideia, só pra citar alguns deles basta lembrar de títulos como: Demolidor, The Spirit e a Liga Extraordinária.
Mas claro, existem os bons exemplos que se tornam sucesso de público e crítica, inclusive entre os fãs, Sin City, 300 e Batman: The Dark Knight, são alguns dos poucos a alcançar este status.

Em Kick Ass, Matthew Vaughn conseguiu realizar um bom filme, levando em consideração a extrema violência da história original e também o fato que algumas coisas precisavam ser adaptadas. Nem sempre o diretor tem a liberdade que Robert Rodrigues teve em Sin City.
Contudo, a essência da obra realizada por Millar e os desenhos de Romita Jr estão lá. A direção soube usar a linguagem dos quadrinhos de maneira inteligente no longa-metragem. Isso tudo acompanhado de uma boa trilha sonora que faz com que as sequências de ação ganhem ainda mais impacto. Os atores fazem o filme funcionar de maneira coerente e Nicholas Cage garante o tom de sobriedade necessário ao seu personagem e a trama também.

Claro, que se você leu a HQ de alguma forma vai ficar, provavelmente, chateado em alguns momentos, mas lembre-se que o filme é uma adaptação. Então por mais que nós, fãs, queiramos um filme literal em relação aos quadrinhos, aqui ou ali mudanças serão feitas, para o bem ou para o mau da produção.
Se você não leu a HQ ainda, assista ao filme esperando uma boa diversão cheia de sacadas inteligentes - ou nem tão inteligentes assim - mescladas a violência frenética e bem humorada - se é que isso é possível - adicione um pouco de cultura nerd e você terá, certamente, a sensação que seu dinheiro foi bem gasto.
Trailer do filme
Todavia, faça um favor a você mesmo, leia a HQ e descubra quanto o mundo concebido por Mark Millar e John Romita Jr, pode fazer você querer sair por ai “quebrando tudo” sem poderes e muito menos responsabilidades.
Prentende assistir ao filme? Já viu? O que achou?