Publicado em: 22/06/2010

Em janeiro de 1985 a empresário brasileiro Roberto Medina criava o Rock in Rio na cidade do Rio de Janeiro. Definido por ele mesmo como resultado de uma loucura, tinha como objetivo colocar o jovem na rua na época em que o Brasil saia do período militar e entrava na democracia. Pelo nome, nada mais que o rock seria o centro das atrações e tudo na capital carioca... Um mero engano. “Rock” trouxe um sentido mais amplo e trata muito mais de música em si que do próprio estilo das guitarras, até do outro lado do Atlântico.
QUEEN - ROCK IN RIO 1985
Naquele ano astros da música pop, rock nacionais e internacionais marcavam presença no palco de 5 mil metros quadrados - até então o maior da América Latina - construído em uma área de 250 mil metros quadrados em Jacarepaguá. Ali se encontrava tudo o que havia numa cidade: centro médico, shopping centers e restaurantes, logo veio o mérito de “Cidade do Rock”.

Roberto Medina, criador do Rock In Rio
O evento tem oito edições registradas, sendo três no Brasil e as demais no exterior em cidades como Lisboa (Portugal) e Madri (Espanha). Para provar que rock nesse festival significa muito mais que a palavra em si, nada melhor que colocar no mesmo palco e em diferentes momentos Elba Ramalho, AC/DC, Al Jarreau, Paralamas, Scorpions e Pepeu Gomes... São só alguns exemplos e que quando misturados no mesmo dia não deram muito certo (algumas vezes), segundo Roberto ao G1, em janeiro deste ano no aniversário de 25 anos do festival:
“[...] Um desses erros mais evidentes foi colocar o Erasmo Carlos no dia do heavy metal, em 1985. Ele ainda teve a infelicidade de começar o show com músicas pouco conhecidas. Foi realmente complicado”, afirmou Roberto.
Em 1991 a mistura de ritmos e tribos fervia na segunda edição do RR. INXS, Colin Hay, Engenheiros, Guns & Roses, New Kids On The Block, Alceu Valença e Moraes Moreira (entre vários outros) apareciam em nove dias de shows. Dessa vez nada de Cidade do Rock, isso porque a prefeitura do Rio (Leonel Brizola) demoliu a área logo depois da primeira edição e determinou que o terreno pertencia ao poder público. Mas como a música tem muito mais poder de conquistar, mobilizar e unir então não dava pra desistir com tal decisão; o Maracanã passou a ser a nova estada do evento.
GUNS AND ROSES - ROCK IN RIO 1991
Dez anos depois - em 2001 - a música pop estava cada vez mais firme no mundo inteiro e as febres da época eram ninguém menos que Britney Spears, N’Sync, Five, Sandy & Junior... Juntos com Daniela Mercury e vários outros, eles estavam na nova Cidade do Rock, construída no mesmo local onde houve a primeira edição do festival, mas com uma capacidade maior e com um número a mais atrativos que incluíam as tendas, caracterizadas pelos ritmos alternativos - como música eletrônica, africana. Com o tema “Por um Mundo Melhor”, o evento mobilizava o planeta com cinco minutos de silêncio e pombas brancas voando pelo local, com votos pela paz mundial. Tudo transmitido para mais de três mil estações de rádio e cerca de 520 emissoras de televisão.
RED HOR CHILLI PEPPERS - ROCK IN RIO 2001
BRITNEY SPEARS - ROCK IN RIO 2001
De 2001 até agora não houve mais nenhuma edição brasileira do Rock in Rio; o evento atravessou o Atlântico e passou a ocorrer fora do país.
Em 2004, Portugal foi a primeira parada e ali foram realizadas três edições bem sucedidas com Britney Spears, Daniela Mercury, Evanescence, Black Eyed Peas e muitos artistas portugueses. 2006 Shakira, Ivete Sangalo, Pitty, Anastacia e os lusos Xutos e Pontapés marcaram presença. Na terceira realização em Portugal, em maio de 2008, Lenny Kravitz, Amy Winehouse, Tokio Hotel, Skank e vários outros brilharam em mais um festival bem sucedido.
IVETE SANGALO - ROCK IN RIO LISBOA 2004
No mesmo ano, entre junho e julho, Madrid (Espanha) recebe o Rock In Rio com Jack Johnson, Carlinhos Brown, Tiesto, Franz Ferdinand e alguns espanhóis. Em maio deste ano voltou à Portugal e neste mês de junho ocorreu de novo em Madrid. Ainda falam em Estados Unidos e China... Mas quando volta ao Brasil?
Bom, ainda essa semana você ficará sabendo quando teremos o festival de volta à nossa terra e ainda vai conhecer as outras intenções que o evento tem ao unir música e mobilização social e cultural.
Até lá!
Por Alisson Correia