Por Ingrid Heckler
Criativo, empolgante e único. Estes são os adjetivos para o filme nazista de Tarantino.
Quando vi Kill Bill pela primeira vez senti algo diferente, sabia que tinha visto algo novo, mas é difícil às vezes explicar isso, afinal é um filme com tantas referências do passado e que teve o propósito de ser a história de artes marciais de Quentin Tarantino. Mas, em cinema tudo depende de como se faz, você pode pegar a história mais clichê do mundo, contudo se souber mostrá-la de maneira criativa ela pode se tornar singular e totalmente original, sendo então algo novo. E é tão difícil achar isso hoje em dia, não é?

Poster do filme
Certamente, você que está acostumado a ver filmes de guerra, principalmente sobre Hitler, deve imaginar o que este aloprado diretor pode trazer de novo? Ele traz sua excentricidade, que colabora para trazer ao longa seu mundo fantástico, em que utiliza todo seu conteúdo cinéfilo para misturar linguagens, músicas, ângulos, planos e piadas ácidas, tudo de uma forma singular e surpreendente. É quase impossível ficar imune ao seu humor negro. Se bem que seu estilo não é para todos, que não compreendem sua visão e sarcasmo, criando histórias realmente únicas.
E assim é Bastardos Inglórios, único e muito divertido. Um longa tenso e violento, porém menos do que eu esperava (talvez porque já tenha me acostumado com todo sangue de Kill Bill). Também é peculiarmente profundo, principalmente em seus diálogos, que não são apenas bem articulados, mas que carregam um cinismo e agonia dos dias vividos naquela época, um tempo em que viver era muito perigoso. Só a abertura do longa transmite essa sensação, um momento cheio de formalidades e educação falsa, um assassino de colarinho branco que não suja suas mãos, mas que é mais perverso que qualquer soldado desequilibrado. Uma abertura excelente e muito agoniante.
Esse início é perfeito, pois já contextualiza a realidade cruel a que os judeus estavam inseridos, fazendo você entender como as coisas funcionavam e quem é o demônio, ou seja, o vilão da história. Este serve aos nazistas, seu nome: Hans Landa, apelido: Caçador de Judeus. Ele se diz apenas um detetive contratado para achar pessoas, nesse caso judeus, sendo extremamente profissional e competente em seu trabalho que, aliás, parece fazer com muito gosto. Esse personagem é fantástico e muito, mas muito bem interpretado por Christoph Waltz. Não é à toa que o mesmo ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes por este papel. È a partir de uma de suas investigações que começa a história.
Na França, em plena segunda guerra, ocupada pelo exército alemão, a jovem Shosanna Dreyfus (Mélaine Laurent) consegue escapar da chacina promovida por Landa. Tempos depois, ela reconstrói sua vida, assume uma identidade falsa e se torna proprietária de um cinema em Paris. No entanto, como uma obra do destino, surge uma chance para que ela se vingue daqueles que causaram a perda de toda sua família. Ao mesmo tempo em que Shosanna vive seu momento de revide, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) lidera um grupo de soldados judeus, que se auto-intitulam Os Bastardos, que tem como missão matar qualquer nazista que passar diante deles. E com o desenrolar da história os destinos de ambos parecem cada vez mais próximos de colidir, precisamente depois das informações da mais nova integrante dos Bastardos, a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), que tem a perigosa missão de chegar até os líderes do Terceiro Reich.

Outro lindo cartaz do filme.
Dentro dessa intrincada trama somos apresentados a vários tipos de personagens, e como se trata de um filme de Quentin Tarantino, é fácil entender o porquê deles serem tão carismáticos, só a turminha do tenente Aldo já dá uma boa ideia, nela temos figuras como o Sargento Hugo Stiglitz, sério e compenetrado em matar quando preciso ou Sargento Donny Donowitz, conhecido como o Urso-Judeu. Aliás, este último, me fez entender de onde veio e expressão sangue no olho, pois literalmente ele carrega no olhar o verdadeiro ódio, aquele vindo dos confins do inferno, principalmente quando vai matar um nazista, só vendo para entender. É bacana observar a construção caricata e profunda desses personagens, que num tem um propósito histórico e sim contestatório, e que acima de tudo, visam o melhor e sagaz entretenimento. Confira o trailer abaixo:
Falei sobre as referência utilizadas no longa? Pois é, são muitas e cada vez que assistirmos encontraremos mais. Na IMDB, consta que Enzo G. Castellari participa do filme, isso é interessante, pois há algumas citações de obras italianas, como o cult Assalto ao Trem Blindado, do próprio Castellari. Há também um momento primoroso em que Aldo, Urso-Judeu e Omar Doom fingem serem italianos, cenas essas muito engraçadas, os sotaques criados por eles na hora são hilários, principalmente o de Pitt, que mais fala como um italiano criado no Tennessee. Muito bom! É possível perceber outras citações referentes aos nomes dos personagens como o tenente Aldo Raine (proveniente do ator Aldo Ray), general Ed Fenech (Mike Myers) que homenageia a famosa atriz italiana Edwige Fenech, assim como Hugo Stiglitz que possui o mesmo nome de um conhecido ator mexicano.
Há a presença de Samuel L Jackson, que narra o passado do bastardo Stiglitz, trabalhando nesse momento o artifício da pausa também utilizado em Kill Bill, porém desta vez o filme não possui quebras de tempo e sim uma linearidade interessante. Até porque é muito difícil algum filme de Tarantino ser entediante. Outro elemento agregado a essa história são os capítulos ao qual toda a trama se divide, como "Era Uma Vez na França Ocupada por Nazistas" ou "Operação Kino". Veja na galeria, no final da matéria mais fotos do longa.
Entretanto, o ponto mais positivo de Bastardos Inglórios é notar a evolução narrativa desse polêmico e pop diretor. Ele agora aproveita todas as suas cenas com um propósito que realmente colabora para a história do filme, lógico que há o excesso “tarantinesco”, mas essa é a sua marca e mesmo dentro desse exagero existe um porque que torna a trama ainda mais rica e interessante. O pop finalmente ganha um espaço mais verossímil, as panorâmicas ficaram muito bem feitas, os contra-plongées nas cenas do cinema alcançam o superior assustador. E finalmente, a trilha, porque sempre as músicas têm que ser um personagem a parte, reunindo canções conhecidas a momentos antes nunca esperados e que se encaixam surpreendentemente bem.

Hans Landa, um herói nazista, quase todos os bastardos e o seu verdadeiro lider Sr. Tarantino.
Afinal, isso é um filme de Quentin Tarantino, talvez uma das poucas produções em que você, realmente, conhece personagens perversos e se apaixona por eles e sente sua falta quando vão embora. Só ele consegue fazer isso com tamanha eficiência. Por essas e outras é que espero ter deixado claro o porquê deste filme ser tão original talvez um dos melhores filmes deste excêntrico e cinéfilo diretor. Há quem o ache exagerado, há quem não entenda sua proposta, mas há todo o restante que saca muito bem e se diverte muuuito. “That's a bingoooo!" ou não é?
Assistiu Bastardos Inglórios? O que achou?
Nome: Cirino F Refosco
Comentário: q massa! parabéns pelo artigo.
Nome: Diogo Phillipe
Comentário: hahaha, that´s a bingo é uma cena engraçada demais hahaha, principalmente pq o ator q faz landa consegue passar a mentalidade doentia do personagem com muita precisao... um filme pra ver e rever
Nome: Diogo Phillipe
Comentário: That´s a bingo é uma cena engraçadíssima, principalmente pq o ator que faz Hanz Landa consegue passar com perfeiçao a mentalidade e o jeito doentio do personagem... um filme para ver e rever!!!
Nome: wagner nascimento
Comentário: O Filme não é´e nunca vai ser uma obra-prima,é um filme meia boca,não há grandes cenas de combates,os dialogos apesar de interessantes chegam a cansar,não pode ser considerado nem um filme de guerra,eu esperava mais de Quentin Tarantino nessa profução.