Publicado em: 21/07/2010

Muita gente demorou mais tempo do que o necessário na leitura do último volume da trilogia Millennium. O autor da badalada coleção, Stieg Larsson, morreu há seis anos levando com ele o fascínio dos seus personagens. O autor tinha apenas 50 anos de idade quando sofreu um ataque cardíaco, dias após ter entregado à editora os originais dos romances que compeões a série que já vendeu 15 milhões de exemplares ao redor do mundo e virou filme.
Os livros que o tornaram famoso depois de morto começaram a ser escritos em 2003, porém, somente com os dois primeiros prontos o autor se preocupou em buscar por uma editora, o que não foi problema. A trilogia Millennium é formada pelos livros Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar.

O autor nasceu na impronunciável cidade sueca de Skelleftehamn. Ao contrário do que costumam ser os reclusos escritores do gênero, Larsson mais parecia um de seus personagens. Ele foi um jornalista bastante influente tendo trabalhado na agência de notícias TT. Além disso, era um ativista político ferrenho e reconhecido em seu país. Uma das causas que ele abraçou foi os direitos humanos, denunciando organizações neofacistas e racistas durante o período em que editou a revista Expo, fundada por ele. Isso lhe rendeu uma fileira imensa de inimigos poderosos e inúmeras ameaças de morte.
É também coautor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita em seu país, que fez engordar ainda mais a sua lista de desamores. É de se imaginar que caso ele não tivesse sofrido um ataque, teria sido assassinado em bem pouco tempo. Sem desprezar sua competência literária, talvez por isso seus livros sejam tão envolventes, pela verossimilhança de suas narrativas, pois o suspense e a tensão que ele retrata em suas obras também cercavam sua vida. “Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade”, disse Larsson em um de seus livros.
O autor, que chegou a ser comparado pela crítica a Alexandre Dumas e Vitor Hugo - e isso não é para qualquer um - fumava, bebia e adorava uma junk food, continuou a gerar polêmica até mesmo após sua morte. Ele não deixou testamento e sua herança acabou indo parar nas mãos de seu pai e irmão, com os quais mal falava, deixando em maus lençóis sua companheira de mais de 30 anos Eva Gabrielsson, com quem não era legalmente casado.
Recentemente foi divulgado que vários outros manuscritos do autor foram encontrados e estão em poder da Biblioteca Nacional da Suécia. O material traria revelações sobre a intimidade do autor durante a juventude, por isso talvez a família opte por não publicar. Ele deixou também sinopses detalhadas para mais sete livros da série Milênio. A trilogia Millennium de Stieg Larsson foi traduzida para mais de 30 idiomas e transformada em filmes tanto na Suécia – duas dessas produções já estrearam por aqui, referentes aos dois primeiros livros – quanto para Hollywood, que não perde tempo e fará suas versões norte-americanas.
Para ter uma boa amostra do que lhe reserva nos livros, assista abaixo ao trailer da primeira adaptação da obra de Larsson.
Trailer da versão sueca de ‘Os homens que não amavam as mulheres’.
Já leu algum livro do Stieg Larsson? Gosta? Se interessou?
Por Mônica Melo