Por Cibelle Ferraz
Após comentar sobre o começo da profissão, o pai, o trabalho, a fase difícil e personagens marcantes em sua carreira, Mike Deodato Jr. chega nesta segunda parte da entrevista para o Fique Ligado em parceria com o Studio Made In PB, e comenta algumas das HQs as quais desenhou e seus ídolos no universo dos quadrinhos. Aproveite e conheça melhor o desenhista brasileiro de grande destaque no mercado norte-americano.

Quando o editor da Marvel pediu para eu fazer a HQ do Noturno, pensei que seria a chance de minha vida, realizei uma história no estilo bem diferente, mais fotográfico, com o lápis bem marcado sem precisar de arte final. O problema foi que o arte finalista não conseguiu fazer seu trabalho, o editor reprovou e refiz tudo novamente, mas mesmo assim não deu certo. Apareceu então, a oportunidade na revista Witches onde, tinha um concorrente europeu. Realizei uma amostra bem caprichada juntamente com um relatório para entregar na reunião. Trabalhei no primeiro e segundo número, mas o presidente da Marvel decidiu cancelar dizendo que não estava gostando do roteiro. Daí, fui chamado para desenhar o Hulk, e este foi o trabalho que minha carreira começou a subir novamente.
2. Depois desta volta por cima em sua carreira, você recebeu proposta de outras editoras?
Já recebi proposta da DC Comics, mas, os últimos contratos com a Marvel só estou renovando sem fazer leilão em outros locais. Eles me tratam muito bem, me sinto realizado e estou fazendo o que gosto. Recebi proposta até maior da DC, mas preferi ficar na Marvel, por que estou satisfeito.

3. Em que momento você se sentiu mais realizado desenhando?
Mulher – Maravilha foi muito importante por que é o primeiro trabalho que levou meu nome, mas, um período que fiquei muito feliz foi desenhando Os Protetores para a editora Malibu, pois, era o primeiro grupo de super-heróis que desenhei, estava tão contente, ganhava dez dólares por páginas, mas, a sensação era tão boa. Quando desenhava a Bela e a Fera tudo era muito pintado e eu virava a noite. Só a sensação de estar começando, foi muito marcante.
4. Fale um pouco de alguns escritores com quem você já trabalhou.
A Marvel sempre teve uma consideração grande por mim e me passam escritores fantásticos, entre eles, Warren Ellis, Bruce Jones e Stravinsky. O Charles Huston’s que agora venho lendo os livros dele e é muito bom, desenhei uma história que nem dei muita atenção na época, por que é diferente você criar para livro e para quadrinhos. Tem que ter uma técnica e não soube me adaptar muito bem naquele tempo. Fiz ainda Thunderbolts com Ellis e quando terminei queria Wolverine, realizei quatro números sendo que, Bryan Bendis criou outra revista para me tirar desta, o Dark Avengers, tipo uma continuação de Thunderbolts. Acabei me apegando e gostando do trabalho. Depois soube que Os Vingadores iria para John Romita Jr., Stuart Immonen ficaria com Os Novos Vingadores e eu com Os Vingadores Secretos. Quando vi o roteiro, me apaixonei, parecia um filme, junta um pouco de cada um, Ellis, Bendis e os diálogos de Stravinsky. Se você gosta do roteiro, faz toda a diferença do mundo.

5. Quais são os seus ídolos dos quadrinhos e quais você teve oportunidade de conhecer?
Apesar de algumas experiências ruins participando em convenções, conheci o New Adams num evento em Nova Iorque, já tinha trabalhado com ele, mas não pessoalmente. Ele foi muito receptivo, disse que adorava meu trabalho e até me abraçou. Adams é um cara que tem uma opinião muito forte no mundo dos quadrinhos, brigou pelo direito dos originais, possui um caráter bem forte, além de ser um gênio e de um talento fenomenal. E ele vir dizer que ama meu trabalho, tenho que acreditar né? (Risos). Conheci também o Jim Steranko que chegou para mim e disse: “eu conheço você”. Fiquei muito alegre. Depois foi o argentino Eduardo Risso, aproveitei, tomei coragem e falei: “Eduardo, gosto do seu trabalho pra caramba”. Enfim, nunca deixei de ser fã e os meus fãs me acham acessível por que não me sinto como um desenhista, para mim sou fã como qualquer um.
6. Tem alguma história para contar a nós sobre algum acontecimento interessante nestas convenções?
Eu encontrei o John Byrne em uma convenção, falei que era muito fã do trabalho dele, ele me recebeu muito bem. Logo após, voltou ao meu stand e ficou conversando comigo. Noutra convenção ele tirou foto. Assim, ele é completamente o contrário de todas as histórias que ouvi. O David Carradine neste mesmo evento estava passeando vendo as revistas. Fui até lá pedi para tirar uma foto, ele ficou olhando as revistas e pediu para esperar com a mão, depois que terminou disse: “sim, você sabe que eu cobro para tirar foto”. Eu quis me esconder na hora, mas ele tirou foto comigo e quando perguntei quanto custava, falou: “Nada”.

PS. Não perca a parte 3 da entrevista com Deodato. O artista fala sobre adaptações cinematográficas das HQs, objetivos profissionais ainda a conquistar e o reconhecimento da carreira nos Estados Unidos e no Brasil.