Por Alisson Correia
Elvis Presley, Rolling Stones, Beatles... Apesar dessa dominação masculina na história do rock, ao longo das três últimas décadas as mulheres têm mostrado competência, talento e determinação para enfrentar desafios na hora de navegar pelas guitarras afiadas.
Um dos nomes mais antigos dessa “safra” de bandas femininas é The Runnaways. Joan Jett, Sandy West, Laurie McAllister e Lita Ford têm registrados 12 trabalhos até 1979, entre discos oficiais, ao vivo e compilações. Quem quiser conhecer mais sobre a história dessa mulherada, pode conferir um filme que tem o nome da banda no título e foi lançado este ano. O FL também tem uma boa crítica sobre o longa.
Cherry Bomb - sucesso que garantiu a turnê das Runaways pelos Estados Undios nos anos 70.
O metal punk predominou no som da banda L7, formada pelas norte-americanas de Los Angeles Donita Sparks e Suzi Gardner, em 1988. Em praticamente todos os dez trabalhos registrados pela banda até 2000, há a presença de artistas que trabalharam com nomes conhecidos na música mundial, como Red Hot Chilli Peppers, Bjork, Nirvana e Pearl Jam. Crítica social e comicidade são alguns dos elementos predominantes nas letras do L7.
Let's Rock Tonight - 1988 - álbum L7, o primeiro da carreira
Ainda na década de 80, aparece a Babes in Toyland, também dos Estados Unidos. Kat Bjelland, Maureen Herman e Lori Barbero se reuniram em 1987, mas o primeiro disco só foi lançado em 1990, com o título de Spanking Machine. O apoio de Sonic Youth foi fundamental para o sucesso que se estendeu pela Europa com uma turnê. O fim da banda ocorreu em 1997 depois de problemas contratuais.
Dust cake Boy - Babes in Toiyland: 14 trabalhos gravados, entre álbuns, coletâneas e EP’s.
Em 1989, quem decidiu sair do strip-tease e entrar para a música foi Courtney Love. A ex-mulher do Nirvana Kurt Cobain se uniu ao Eric Erlandson e, junto com Mickro Larkin, Shawn Dailey e Stu Fisher, formou a banda Hole. Misturando tendências alternativas com punk-rock e grunge, o grupo ainda trouxe influência sonora do Sonic Youth. A sonoridade pop aparece no disco Celebrity Skin, último material lançado em 2002 e que marca o fim do Hole.
Garbadge Man - 1991 - primeiro single do Hole, álbum Pretty On The Inside
No início dos anos 90, começa um “movimento" conhecido como Riot Grrrl, e a disseminação dessa ideia ficou por conta das meninas do Bikini Kill. O objetivo dessas jovens estava muito distante de qualquer ambição comercial. Elas queriam fazer música como uma forma de reivindicar direitos feministas e protestar contra a dominação masculina no cenário fonográfico do punk-rock. Kathlen Hanna, Tobi Vail e Kathi Wilcox eram as integrantes da banda norte-americana de Olympia que acabou em 1998.
New Radio/Rebel Girl (93) - 12 trabalhos, entre álbuns dividos com outros artistas, produção independente e coletâneas.
A banda Veruca Salt formada por Louise Post, Nina Gordon, Steve Lack e Jim Shapiro aparece em 1992, mas só começou a fazer sucesso no segmento um ano depois. Dessa vez, o rock já estava mesclado com elementos da cultura pop e, com essa tendência, o Veruca Salt seguiu até 2000 quando foi lançado o disco final da carreira.
Seether - 1992
The Donnas vieram em 1993 e estão juntas até hoje. A banda traz na composição Brett Anderson (Donna A), Allison Robertson (Donna R), Maya Ford (Donna F) e a baterista Torry Castellano (Donna C). O primeiro disco só foi lançado em 1997 e, sempre que apresentam material musical, são elogiadas pelos críticos porque costumam trazer inovações e diferenciais nas produções. Nas letras, a revolução feminina não ficou limitada à contestação ou ao questionamento de valores, mas à exposição de aventuras adolescentes regadas a sexo, álcool e festas.
Take It Off - The Donnas acumulam oito trabalhos, entre materiais independentes ou com gravadora.
Nosso último destaque fica para as canadenses do Kittie, banda formada em 1996. As irmãs Morgan e Mercedes Lender eram as “anfitriãs”, mas o grupo também teve uma grande rotatividade de participantes. Todos pensavam que, com um nome doce e suave como Kittie, as moças seriam tão meigas quanto soava o título... Na verdade, a música, para elas, trazia o fim da ideia de mulher frágil e dependente.
Brackish - primeiro hit do Kittie em 99
Alguns dos fracassos das bandas de rock femininas não se deram em função da incompetência ou da falta de talento e de criatividade, mas pela instabilidade na formação dos grupos, além dos problemas contratuais e difíceis de enfrentar, quando se tem um mercado musical dominado pelos lucros e interesses comerciais.
Apesar disso, com essas referências femininas no rock mundial, provamos que mulher merece destaque na história desse gênero musical e que os homens não são os únicos a espalhar rebeldia, determinação, atitude e cultura transformadora... Elas também podem e fizeram isso muito bem E ainda fazem!
E para você, quais são as bandas femininas mais rock'n roll?