Por Ingrid Heckler
O zumbi é um elemento difundido desde que o cinema existe, tanto que hoje é possível afirmar, mesmo que informalmente, a presença de um gênero a parte construído para representar estes que são ícones de filmes tão clássicos. Um diretor em especial, chamado George Romero, trouxe de maneira rasgada e violenta este estilo visceral em se fazer terror. Ele foi o responsável por criar cenas assustadoramente nojentas e agressivas, mas que revelaram com maestria o impacto que este tipo de história pode causar nas grandes platéias.

Fazer algo original em um universo tão explorado é algo por si só genial e adquirindo este status Romero produziu inúmeras obras que marcaram uma época e consagrou o terror com a sua assinatura dos mortos vivos. Mais do que isso, elaborou regras e fórmulas que são utilizadas até hoje como uma cartilha por todos os diretores que desejam criar um bom filme de zumbi.
Madrugada dos Mortos (2004) e A Noite dos Mortos Vivos (1990) foram alguns dos remakes baseados nos filmes cults de Romero, e a pouco estreou mais um A Epidemia, uma releitura do longa Exército do Extermínio, de 1973. O título original de ambos é The Crazies, que em português seria Os Loucos, um nome bem mais atrativo e que entrega menos a história. Enfim, as traduções realizadas aqui no Brasil são sempre assim.

A Epidemia nos apresenta uma trama que embora siga a cartilha do mestre, consegue ser bem executada e tensa o suficiente para valer seu ingresso. A história nos leva a uma cidadezinha no interior dos EUA, local pacato e tranquilo que acaba sendo exposto a uma espécie de vírus ou arma biológica. Não se sabe. O que logo se percebe é que a tal epidemia deixa seus contaminados loucos, primeiro apresentando uma espécie de distanciamento social e depois atitudes violentas e extremas.
O xerife David Dutton, interpretado por Timothy Olyphant, e sua esposa Judy – médica local - interpretada por Radha Mitchell, logo notam que algo de muito estranho está acontecendo com os moradores da cidade, no entanto antes que possam concluir alguma coisa são surpreendidos por uma invasão do exercito, que além de não explicarem nada começam a agir de maneira violenta. Assim, os protagonistas e mais alguns moradores tendem lutar por sua sobrevivência em meio aos militares e aos que ficaram loucos devido à contaminação.

O filme é intenso e possui boas cenas que assustam dentro de uma previsibilidade esperada, mas que conseguem surpreender vez ou outra. A forma como os acontecimentos se desencadeiam são os já conhecidos dentro do gênero: tudo começa bem, depois passa do feio para o assustador e finalmente a loucura total. Mesmo assim, o longa prende sua atenção do inicio ao fim devido um elenco e execução competente, embora possua um final genérico, sem grande apelo.
Trailer do filme
Aos amantes do gênero, A Epidemia surge como uma excelente opção. O resultado final é bom, o diretor Breck Eisner conseguiu trazer um filme terror-zumbi de qualidade, contudo demonstrou ainda ser um aprendiz diante do mestre. Afinal, superar George Romero é sempre uma tentativa ingrata.
Já assistiu A Epidemia? O que achou?