Por Thalyta Costa
A cantora e violonista Márcia Castro é sem dúvidas uma das grandes surpresas do cenário da música alternativa. Com um jeito irreverente, ousado, mas sem perder a ternura, Márcia não é só uma promessa. Por meio da mistura de ritmos e de uma interpretação cheia de personalidade, ela prova que saiu dos bares de Salvador para firmar-se como um novo talento nacional.
Na segunda parte da entrevista cedida por ela ao FL você vai poder conferir como foi sua participação no 44th Montreux Jazz Festival, na Suíça, onde a Márcia teve a responsabilidade de mostrar a produção contemporânea baiana, fora do circuito Axé Music.

Em Janeiro de 2010 você estreou no Festival de Verão de Salvador, comente um pouco sobre esse inicio de ano?
Márcia: Foi emocionante tocar num festival do qual fui público por muitos anos, um dos mais importantes festivais de musica do Brasil, dividindo o palco com cantoras que se tornariam amigas logo adiante. Além disso, começar o ano trabalhando com a energia da minha cidade natal, do lugar que amo, perto dos meus amigos, de minha família foi muito significativo. Tanto foi que nesse ano repetirei a dose. Dessa vez gravando o meu novo disco.
Como foi a sua participação no 44ª Montreux Jazz Festival, que aconteceu no dia 10 de julho de 2010 no Parc Vernex na Suíça?
Márcia: Montreux sempre esteve presente no meu imaginário musical, nesse arsenal de coisas que me constituem enquanto artista. Cantar lá foi como viver um sonho, não esperado, um sonho espontâneo que acontece como mágica. Acho que isso trouxe uma vibração tão especial ao show que fomos convidados para participar do documentário que uma equipe americana estava fazendo sobre o Festival, filmado em 3D. Ou seja, na apresentação do dia seguinte, tivemos o show registrado em 3D, sendo os primeiros brasileiros a ter registros nesse tipo de tecnologia.
Você é a única brasileira que vai participar de um documentário em 3D sobre a 44ª edição do Montreux Jazz Festival, comente sobre este convite e a importância do mesmo na sua carreira internacional?
Márcia: Como disse acima, o convite foi feito logo após o nosso primeiro show em Montreux. Foi espontâneo. A organizadora do festival estava lá, viu o show e nos indicou como artistas do palco Parc Vernex. O documentário será lançado em dezembro. Obviamente, é extremamente gratificante estar presente no registro documental de um dos maiores festivais do mundo, ao lado de gente como Herbie Hancock, Massice Atack, Angelike Kidjo, etc. A carreira internacional ganha força e respeito.
E sobre a cena musical da Bahia? Como vê sua geração vindo de um histórico tão rico culturalmente desde Dorival Caymmi, passando por Gal, Caetano, Gil, Maria Betânia... axé?
Márcia: O modo como a axé foi administrado na Bahia foi corrosivo para todos que não faziam aquele tipo de música. Por muito tempo, vivemos uma estagnação criativa. Mas, há alguns anos, isso vem mudando. Hoje, acredito que caminhamos para algo mais democrático, possibilitando formação de público e, desse modo, possibilitando tambéma produção artística. Surgem pessoas que vem desenvolvendo trabalhos interessantes, surpreendentes, como a Rumpilezz, Tiganá Santana, Ronei Jorge, Cláudia Cunha, Mariene de Castro, Cascadura, Baiana System, e ainda outros tantos. Esses artistas também começam a se articular com o sudeste e a gerar trocas, movimentos coletivos, que voltam a ser um modo de fazer arte dos tempos de hoje.
Você é uma artista que já surgiu dentro dessa nova indústria fonográfica, com downloads livres e etc. Como é sua relação com a internet?
Márcia: Sou uma artista conectada. Acredito que essas novas ferramentas ajudam muito o artista independente, que não tem gravadora, empresário ou assessoria de comunicação. Hoje, você mesmo pode fazer isso tudo através da internet, alcançando seu público. Isso seria impossível anos atrás. Obviamente, tudo tem duas faces. É preciso ter cautela ao usar essas ferramentas, para que isso não se sobreponha ao próprio trabalho do artista. Acredito que estamos todos tateando esse novo cenário.
Para conferir a primeira parte da entrevista, clique aqui.
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