Publicado em: 15/01/2010
Demorou, mas o novo clássico da Disney não poderia passar em branco no Fique Ligado!
E por falar em demorar, o estúdio mais clássico do mercado, prolongou durante vários anos o lançamento de mais uma típica história ao seus moldes tradicionais, o estilo Disney de ser. Em tempos em que o 3-D e Mocap (capitação digital das expressões dos atores) são utilizados de maneira intermitente, retomar algo bom do passado não parece loucura e nem de longe algo nostálgico, e sim puramente artístico. Contudo, com uma boa pitada comercial, afinal, apresentar as novas gerações um novo lançamento em 2-D pode ser uma descoberta e tanto. Algo que pode encantar e fazer ressurgir uma antiga magia.

Pôster do filme
O resgate aqui, porém, não foi apenas a tecnologia, mas de uma fórmula que parecia estar empoeirada nas estantes do estúdio. Em se tratando do pai do Mickey, uma trama só é boa mesmo, se tiver uma princesa, uma boa dose de magia e o amor para combater qualquer obstáculo. E A Princesa e O Sapo têm todos esses elementos e mais algumas novidades. Para começar, a trama não é exatamente igual ao conto clássico que a inspirou, e o fato que mais chamou atenção foi o da princesa Tiana ser a primeira protagonista negra na história da Disney.
Entendido estes dois pilares, que sustentaram a publicidade do longa, preciso dizer que me diverti muito assistindo ao filme. Como todas as histórias de princesa, elas são previsíveis e encantadoras, pois carregam uma inocência que ainda consegue cativar o expectador. Contudo, o que prende realmente a atenção do público são as tiradas cômicas, que oscilam entre algo exagerado e bobo, no entanto, todas dentro do contexto, agregando uma simpatia que vai sendo conquistada ao longo do filme e totalmente adquirida em seu final.
Assim, somos apresentados a Tiana, vozes de Anika Noni Rose / Kacau Gomes, uma moça esforçada e que trabalha feito uma condenada para realizar um sonho, acalentado por seu pai: o de ser a dona de seu próprio restaurante. E ela não mede esforços e nem liga para o que a sociedade da época pensa de uma mulher ser independente. Nossa protagonista sabe o que quer e vai atrás disso. Mas, como nada é fácil sua jornada será longa e cheia de aventuras.
Devido a um lance do destino Tiana conhece um sapo falante, que na verdade é o príncipe Naveen, Bruno Campos / Rodrigo Lombardi, um boa vida que foi “voduzado” pelo Dr. Facilier, Keith David / Sergio Fontoura, o vilão da história. O trapaceiro tem seu plano todo preparado para enriquecer, manipulando a aparência do príncipe em seu “fiel” servo, enquanto o verdadeiro se encontra transformado na figura anfíbia.
Ao conhecer Tiana, Naveen pensa que seus problemas acabaram e lhe pede um beijinho, porém como ela não é uma princesa o tiro sai pela culatra e nossa esforçada garota também se transforma numa linda “sapinha”. Daí pra frente muita coisa acontece.
Os personagens mais engraçados do longa, definitivamente, são o vaga-lume caipira, Ray, vozes de Jim Cummings / Márcio Simões, e o crocodilo trompetista, Louis, vozes de Michael-Leon Wooley / Mauro Ramos.
Há uma cena específica que explica o porque do réptil não poder tocar com as pessoas, esse momento é de um exagero sem noção muito bom! O olhar, a personalidade e seu jeitão desengonçado são ótimos. Já o vaga-lume é praticamente a luz divina que guia os caminhos dos desajeitados personagens em seu caminho. Aliás, a cena dos caipiras é outra impagável. Muito engraçada.
Todo o filme é ambientado no sul dos EUA, época em que o jazz e soul explodiram e conquistaram o gosto popular. Isso explica o ritmo agradável e gostoso ao qual vamos sendo conduzidos, dentro de um tempo cheio de magias sinistras e um gingado envolvente. Está aí, uma boa maneira de desenvolver um musical, tendo como desculpa a cultura local, para de falas em falas inserir uma canção. A direção do longa está a cargo de
E as músicas? Elas surgem como uma grata mistura de estilos, temos o gospel, o country, o jazz, o blues e muitos outros encontrados na famosa Nova Orleans. Aliás, qualquer semelhança do crocodilo Louis com Louis Armstrong, não é mera coincidência. Uma clara homenagem. A palheta de cores utilizada no longa-metragem também é divina, criando muito bem a atmosfera da época e cultura local. Confira o trailer do filme:
Trailer de A Princesa e O Sapo
A Princesa e O Sapo consegue, com isto, resgatar a pureza dos clássicos de outrora, mostrando as novas gerações um novo tipo de encantamento e que principalmente, é possível ainda fazer sucesso com um material inocente e de qualidade, levando uma boa diversão para toda a família.
Por Ingrid Heckler