Publicado em: 14/01/2010
“Quero criar um sonho que possa ser sonhado coletivamente em uma sala de cinema” (por James Cameron).
Estar diante de algo bonito pode ser intoxicante, isso no melhor sentido da palavra. A imagem fascina o consciente coletivo de todos os seres humanos. Ela é capaz de fazer aflorar as mais diversas sensações. Não é à-toa que milhares de pessoas pelo mundo afora se autointitulam cinéfilos, ou seja, amantes da sétima arte e suas histórias. Isso porque, só o cinema pode proporcionar o sublime e inexorável impossível.
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Pôster do filme
Citar o extravagante e improvável sem associar ao diretor James Cameron, seria aí realmente impossível. O homem é um verdadeiro megalomaníaco, sua sede de grandeza garante resultados que trazem, em sua maioria, tramas e personagens cativantes em meio a contextos de proporções bíblicas. E eu não estou exagerando. Quer um exemplo simples e prático? O último filme expressivo deste diretor foi Titanic, precisa dizer algo mais?
Neste caso sim, pois a missão aqui é falar de sua nova produção, o ousado e belíssimo Avatar. Filme, que inovou trazendo um resultado final absurdo, mas veja bem, toda euforia relatada aqui se deve a um único quesito: os efeitos especiais. O longa-metragem se configura numa empolgante experiência, apresentando níveis de tecnologia nunca antes atingidos na história do cinema. A beleza ao qual somos expostos impressiona, tudo isso devido a muito trabalho, dedicação e uma ideia fixa na cabeça deste diretor (também roteirista e produtor), de um sonho que ficou sendo curtido por 13 anos.
Muitos perguntam, o que existe de tão especial em Avatar? A resposta é simples, seu visual, que graças aos avanços tecnológicos permitiram todo o desenvolvimento de um novo e completo mundo, Pandora. E coloque aí não só a criação de uma raça dominante, os Na’vi, como também toda uma flora e fauna originais. Duvida? Pois bem, você sabia que as plantas vistas no filme são todas classificadas por suas espécies e classes, sendo todas parte de um complexo ecossistema criado com a cooperação de botânicos e biólogos? E os animais? Todos desenvolvidos através de muito estudo, indo do movimento até as características físicas, sendo determinado desde o esqueleto até o comportamento dos bichinhos. Pois é!
E tem mais, sabiam que o idioma dos Na’Vi não são palavras soltas ao vento? Aliás, nada no filme é gratuito, como já deu pra perceber tudo foi milimetricamente pensado e estudado. Assim, a língua dos nativos, além de ter sido mais uma ideia de Cameron foi criada e aperfeiçoada por linguistas e fonoaudiólogos, e estes especialistas foram além agregando ao dialeto gramática, sintaxe, morfologia e muito mais.
Todas essas curiosidades, de fato, são apenas uma amostra do tamanho da dedicação de James Cameron em relação a sua criação, sendo exagerado ou não, tudo isso ajuda na composição da veracidade das imagens, que realmente, possuem um grau de realidade incrível. O que dizer do impacto de observar uma floresta biofluorescente, que emana vida em formas multicoloridas? É literalmente demais! A perseverança do diretor valeu a pena, afinal boa parte da espera nestes 13 anos, foi para aguardar uma tecnologia eficiente para criar o efeito idealizado. Além de utilizar o que há de mais moderno, foi realizado desde 2000 uma pesquisa financiada pela Sony para aprimorar as câmeras em 3D, tudo isso para que um filme totalmente concebido neste formato fosse realizado de maneira a não causar desconforto nos espectadores, como geralmente acontecia quando expostos por muito tempo ao 3D. Fora o aperfeiçoamento do processo de mocap (captura de imagens), bem como em CGI (Computer-Generated Imagery). Por isso, é fácil dizer que dentro do âmbito técnico o filme traz algo revolucionário e grandiosamente criativo.
Mas, o filme fala sobre o que mesmo?
Tirando todo o glamour e os efeitos de cair o queixo, Avatar possui uma trama previsível e repleta de diálogos fáceis, tudo muito bem mastigado para que o público não tenha muito que pensar. Aliás, a história do filme possui elementos já vistos e muitas outras histórias. Primeiro, a exploração do homem na Terra, destruindo seus recursos naturais em nome da riqueza material. Segundo, o autoritarismo militar ao expandir seus domínios, refletindo o clássico egoísmo humano. Terceiro, a curiosidade científica, que se apresenta como um dos pontos menos negativos, pois estes vão em busca do conhecimento, através de estudos e contatos interpessoais com os nativos.
O elemento mais clichê de todos reside no dilema do individuo que é enviado para uma missão e se envolve com a cultura local, mudando seus conceitos e consequentemente de lado. Este é o conflito do personagem Jake Sully, interpretado por Sam Worthington. Assim, este fuzileiro paraplégico vai para Pandora, uma lua pertencente a um planeta gasoso chamado Poliphemus. Lá ele se vê dividido entre os interesses dos homens, em busca de uma rara pedra preciosa e sua consciência diante da exploração aos nativos da região, os Na’vi.
Devido ao fato do ar ser tóxico para os humanos e a necessidade de criar uma confiança com a comunidade local, os cientistas criaram humanóides - na’vis, chamados de avatares, aos quais são projetados a consciência de quem irá controlá-los. Com isto, Sully em sua versão avatar consegue se misturar entre os nativos e essa convivência, previsivelmente, mudará sua visão diante da vida. Podemos observar no longa-metragem referências a vários outros filmes, por exemplo: Matrix dentro do próprio conceito da transferência de consciência, bem como Robocop e o Exterminador do Futuro em relação ao design dos robôs. Contudo, sua influência gritante vêm do fato do longa ser uma espécie de Pocahontas da ficção científica, revelando que a história em si não tem nada de original, o que se opõe bruscamente a sua estética.
Assim, embora muitos meios de comunicação digam que Avatar é um filme revolucionário é bom ter calma. Pois, sua novidade reside na forma e não no conteúdo. O exagero típico de Cameron está presente em tudo no filme. 400 milhões de dólares foi o seu o custo, sendo o mais caro de toda a história da indústria cinematográfica. Acrescentando aí uns míseros 200 milhões em publicidade, tendo até agora uma arrecadação de 1, 02 bilhão. Só perdendo para Titanic, que é de quem mesmo? Pois é! Contudo, o ego deste diretor consegue nos intoxicar de forma positiva. Ainda com suas falhas e extravagâncias o filme merece ser visto, principalmente nos cinemas, pelo espetáculo e por oferecer uma experiência visual ímpar.
Assista abaixo um Making of do longa-metragem e logo após o trailer.
Making Of de Avatar
Trailer de Avatar
Já assistiu Avatar? Digaí você achou isso tudo ou não?
Por Ingrid Heckler