Por João Thiago da Cunha Netto
Quer fugir do natal? Se refugiar em algum lugar com uma pilha de DVD’s e uma boa companhia pode ser uma ótima pedida! Abaixo algumas dicas (de DVD’s, não de boas companhias) para ver neste natal e esquecer a cara do bom velhinho!
Dexter – 1ª Temporada
Ele é um perito forense, um legista da polícia de Miami. E é um serial killer que mata assassinos! Conheça Dexter Morgan, um desajustado que é perito em tirar o lixo das ruas da Flórida. Os doze episódios da 1ª temporada contam como Dexter se tornou o assassino que é, com segredos de família, a caçada a um grande rival e suas relações (tensas) com a humanidade.
A Regra Ethan Hawke de cinema
Eu já falei sobre esta regra de cinema na crítica sobre o filme A Rede Social, mas não entrei em detalhes. Bom, aqui eu contarei um pouco mais sobre isso. A regra é clara: Qualquer filme com Ethan Hawke no elenco será, no mínimo, um filme 4 estrelas em qualquer crítica de cinema. Pode ver! Qualquer filme que conte com a presença dele é certeza de bom entretenimento cinematográfico.
Não estou dizendo que são filmes com sucesso absoluto de bilheteria, mas sim que são bons filmes dentro de seus estilos. Vamos pegar alguns exemplos de épocas diferentes. Seu primeiro filme foi Viagem ao mundo dos sonhos. Quem viveu os anos oitenta lembra bem dos pequenos cientistas que criam uma bolha de ar que pode levá-los ao espaço e que os mete em terríveis encrencas e grandes confusões, parafraseando o locutor da sessão da tarde.
Depois de muito tempo desanimado com o cinema - pois este primeiro filme, apesar de ser lindo, foi um fracasso de bilheteria - ele só voltaria a atuar em um clássico do cinema oitentista chamado Sociedade dos poetas mortos, que foi o filme que consolidou Robin Williams como ator e que contava com Wilson, o melhor amigo do doutor House, lembra?
Muitos filmes de sucesso se seguiram; outros, nem tanto, mas Hawke sempre soube escolher bons roteiros. Com grandes olhos azuis e carinha de bom moço, fez Antes do Amanhecer, em que atravessa Praga filosofando ao lado de Julie Delpy (ah, Julie Delpy) em uma noite inesquecível.
Então vieram Gattaca, uma excepcional ficção científica, Dia de Treinamento, que deu o Oscar merecido a Denzel Washington, O Senhor das Armas, com Nicholas Cage e uma série de filmes pequenos e independentes onde puderam mostrar que ele é mais que um rostinho bonito.
Para coroar, um dos últimos filmes de que participou leva os vampiros a sério: The DayBreakers é um thriller futurista genial, quando quase toda a população humana se tornou vampira. Então, uma ótima pedida é aproveitar a “Regra Ethan Hawke de Cinema” e curtir os bons trabalhos deste excelente ator.
Kill Bill volumes I e II
Vamos aproveitar para falar da ex-esposa dele? Sim, Uma Thurman encabeça estes dois volumes do ótimo filme de Quentin Tarantino, que conta a história da noiva, que teve sua família inteira morta durante seu casamento e corre atrás de vingança.
Com visual exploitation e uma linguagem cheia de referências pop, Tarantino faz destes dois filmes sua obra mais marcada e icônica. A força do roteiro e da direção é extrema, e a assinatura do diretor americano é inconfundível.
Humor, violência gratuita, mulheres bonitas e diálogos prá lá de marcantes fazem de Kill Bill mais que uma experiência cinematográfica simples, mas uma catarse excepcional que poucos sabem fazer tão visivelmente como Tarantino o faz.
O Curioso Caso de Benjamin Button
Falando em catarse coletiva, deixem-me contar sobre uma experiência que aconteceu uma vez em minha vida, durante a exibição de “O Curioso Caso de Benjamin Button”...
Estávamos todos no cinema, sentados, rindo das cenas de humor e chorando das cenas de drama, quando em um dos alívios cômicos presentes no filme, um senhor, conta a Benjamin sobre as sete vezes em que foi vítima de relâmpagos. Então, um trovão atravessa a cena e ele fala simplesmente: “Parece que vai chover hoje”. Um silêncio contido toma o cinema e eu começo a falar imitando o sotaque do velho. “Sabe que eu já sobrevivi a oito raios?”
Catarse, risos explodem pelo cinema inteiro, todos compartilhamos uma piada que em nenhuma outra sala, nenhum expectador do filme pôde compartilhar.O filme uniu as pessoas naquela sala de cinema de forma única. Nunca me senti tão em casa, assistindo a um filme, e Benjamin Button tem esta característica, de unir pessoas, pois trata das situações mais comuns a que um homem incomum pode se expor.
No fim, a sensação que tive é que todos éramos um pouco como Benjamin, envelhecendo ao contrário quando assistíamos àquele filme. E todos fazíamos parte do mesmo mundo e do mesmo universo. Como no fim do filme, todos éramos pessoas extraordinárias.
Almas à venda
Paul Giamatti está com sérias dificuldades para interpretar “Tio Vani”, texto russo de teatro. Para tentar resolver este problema, ele simplesmente pega sua alma e a coloca em um banco. O que ele não imagina é que sua alma será roubada e colocada à disposição do mercado de almas russo. Desta premissa non sense, surge Almas à Venda, excelente filme com Paul Giamatti interpretando a si mesmo.
As cenas dele sem alma tentando se forçar a sentir algo são hilárias e, ao mesmo tempo, tocantes. Um ator excepcional (amei sua atuação no falso documentário sobre Harvey Pekar, o quadrinista) interpretando um papel relevante para coroar uma carreira que merecia mais atenção. Afinal, ele não é só o ator de “A Dama na Água”. A humanidade que ele empresta para seu personagem é coisa única, digna dos grandes mestres da atuação.
Two and a half man
Mais uma série. O misógino-milionário-mau-caráter-alcoólatra tio Charlie, sempre divertindo a família com suas tiradas sarcásticas. Se você é como eu, gosta de humor politicamente incorreto, então vai encontrar um pouquinho deste humor nesta série que traz Charlie Sheen interpretando quase um alter ego seu.
Na história da série, Charlie Harper é um criador de jingles que ganha muito dinheiro e tem que receber seu irmão em casa depois da separação deste. Da dinâmica entre os dois, surgem as piadas da série que conta com personagens disfuncionais e é certeza de boas gargalhadas.
Trilogia de volta para o futuro
Um Delorean! Que moleque da minha idade não queria um Delorean, com aquelas portas de asas de gaivotas? Verdade seja dita: todos os moleques queriam apenas três coisas naquela época, nos distantes anos 80:
1 – Um Delorean, é claro;
2 – Namorar a Jennifer Grey ou a Jennifer Beals (que era mais a minha cara);
3 – Ser Ferris Bueler;
E tudo começa no Deloreon do doutor Emmet Brown, um cientista maluco que cria uma máquina do tempo movida por um negócio chamado capacitor de fluxo. A energia para mover o bendito capacitor é proveniente de plutônio, que o bom doutor “pegou emprestado” de uns terroristas que vêm correr atrás dele.
Pois o jovem Martin McFly, descendente de uma linhagem real de derrotados, se envolve com o Doc. Brown e acaba caindo na Hill Valley dos anos 50, quando seus pais se conheceram, se metendo em altas confusões! Pobre Martin McFly, confundido com Calvin Klein...
Nos três filmes, a história se passa em Hill Valley e é excepcional. Sempre que vejo meio que volto a ser criança e não canso de assistir. Nestes filmes, realizamos uma parte do grande sonho de todo garoto oitentista, e agora que tenho minha carteira de habilitação, este sonho está mais perto da realidade...
Animações da Pixar
Escolha qualquer um. Da Trilogia Toy Story até Up, Altas Aventuras, qualquer uma das animações da Pixar faz a gente viajar para um mundo de fantasia que é tão próximo de nós mesmos...
Up, por exemplo, nos mostra, em seus primeiros trinta minutos (um dos melhores momentos do cinema de todos os tempos), o valor do amor e como ele dá significado à vida. Toy Story fala sobre amizade, Ratatouille é um exemplo de... Cada um dos filmes deles tem um segredo em si e conta para a gente sobre a gente mesmo. Não são desenhos, são filmes, e filmes dos bons, prá entrar para a história.
Glee
Quem diria que uma série musical daria certo? Pois deu. Mais certo do que se imagina. Glee é um dos produtos mais rentáveis da TV americana nos dias de hoje. Produtos licenciados? Diversos! CDs lançados? Vários! Mas vamos falar da série, certo?
A história gira em torno de um grupo de alunos de uma escola secundária nos Estados Unidos. Eles montaram o coral da escola e o professor de espanhol é quem vai coordenar este coral. Eles têm talento, mas são desacreditados, vítimas de Bullying, ou excluídos.
Com números musicais de canções conhecidas (o mais conhecido é a versão de Don’t stop believing, do Journey) a série atingiu os corações dos jovens por lidar com suas questões, dos excluídos, por serem representados, já para os mais velhos por ter músicas que falam com eles e dos entendidos por causa do glamour (acho).
A verdade é que, por ter conseguido atingir tantos corações e por falar de uma forma única com cada um destes grupos, Glee é um grande sucesso e vale a pena a espiada. Procure a primeira temporada e se emocione com os dilemas! É diversão garantida!
Bill Murray, o Deus do humor
Sim. Ele é uma entidade que está acima do bem e do mal. Até mesmo nos seus piores momentos ele está acima da média. Um monstro, um Deus! É Bill Focking Murray (parafraseando Talahasse, em Zombilândia), senhoras e senhores!
Ele formou a nossa visão de humor. GhostBusters, Scrooged, Feitiço do Tempo, até em seus filmes sérios ele nos faz rir, descompromissadamente, só por sua expressão perdida de quem caiu no mundo por acaso.
Bill Murray começou no programa de TV Saturday Night Life, templo do humor inteligente nos Estados Unidos. Consagrou-se com Os Caça-Fantasmas, fazendo Peter Venkman, papel pelo qual recebeu sua primeira indicação ao globo de ouro de melhor ator de comédia. Desde então, uma carreira inteira nos fazendo rir e pensar com seu talento e carisma.
Nunca ganhou um Oscar, mas foi indicado por seu papel em Encontros e Desencontros, filme de Sophia Copolla que fala sobre solidão, tendo sido rodado em Tóquio. Neste filme, Bill brinca com a própria carreira, interpretando um ator famoso que está passando por um momento de extrema depressão, mas conhece alguém que divide as mesmas dores que ele, Charlotte, belamente (em todos os sentidos) interpretada por Scarlett Johansson.
E no meio de tudo isso, o filme que realmente o transformou em suprema divindade da comédia do final do século XX. Uma das comédias mais engraçadas de todos os tempos, um filme único, incrível, invencível, mas que nem todo mundo entende: Feitiço do Tempo! Ou, o dia da marmota.
Mergulhado em um loop temporal, o personagem de Bill Murray precisa repensar sua vida e se redescobrir como ser humano. Vivendo continuamente o mesmo dia, ele vai se tornando uma pessoa melhor. O filme é tão hilário quanto tocante e ganhou uma penca de prêmios, indicações e tudo o mais. Faz parte da biblioteca do congresso americano como obra de cunho histórica e esteticamente relevante (diz a Wikipedia).
Então, pelo conjunto da obra, este americano nascido em 1950 pode ser considerado um Deus do Humor! Valei-me Bill Murray! Isso é tudo pessoal! Se você realmente não curte as festas de fim de ano aproveite bem seu tempo, fuja da badalação e tenha um feliz dia comum!