Por Mônica Melo
Sabe aqueles momentos em que a gente sente algo como orgulho de ser brasileiro? Aquela hora em que você acha que não havia lugar melhor para ter nascido? Que você acredita que em nenhum outro lugar as pessoas são tão bacanas e tão felizes? É mais ou menos assim que a gente sente ao assistir a animação Rio, que estreou neste final de semana no Brasil e que, apesar de ser uma produção hollywoodiana, está sendo exibido antes em terras tupiniquins do que no resto do mundo.

Apesar de ser um filme para crianças, os adultos se divertem e muito. O homem sentado ao meu lado no cinema deu mais risadas que o filho dele. Afinal, o longa tem algumas nuances que só os adultos percebem. Apesar de ser puro cine pipoca, puro entretenimento, a animação toca em algumas das nossas mais dolorosas feridas. Uma delas, e talvez a mais cruel de todas, é a cooptação de crianças pelo crime organizado. Triste realidade que, muitas vezes, parece ser a única opção de futuro para elas, mesmo que saibamos que o crime não é o melhor caminho para ninguém. Esse problema é exposto na figura do garoto Fernando, que acaba sendo salvo de um futuro na cadeia, mas faz a gente pensar quantas crianças não têm a mesma sorte.

Visualmente a animação não foge à estética já conhecida da Pixar – embora seja produzida pela Blue Sky Studios e Twentieth Century Fox Animation – e é possível ver a assinatura do diretor Carlos Saldanha (responsável pela trilogia A Era do Gelo) já nos primeiros minutos. É claro que, como todo bom filme pra crianças, o roteiro é bem previsível para não frustrar os pequenos. O enredo na verdade é apenas o fio condutor que une ótimas piadas verbais e visuais. Os personagens são cativantes, todos os estereótipos brasileiros estão presentes na fita, mas de uma maneira positiva, malandra, de bem com a vida e que rende ótimas tiradas. Os macacos ladrões de turistas, o segurança Silvio, o malandro gente boa Rafael e a dupla de festeiros Nico e Pedro são ótimos coadjuvantes que dão luz e ritmo ao filme. A cacatua Nigel é daqueles vilões que deve entrar no hall da fama dos clássicos - ele é ótimo, ou melhor, péssimo.
Mesmo não fugindo a esses padrões, Rio é lindo. A cidade ganhou vida no filme. As paisagens são deslumbrantes e mata de saudade a quem já andou passando férias por lá. O Cristo, o Pão de Açúcar, Santa Tereza, os morros, Copacabana, Ipanema, Jardim Botânico e até mesmo o Centro são muito bem retratados, dando ao espectador brasileiro uma sensação familiar, mesmo para aqueles que nunca estiveram por lá. As favelas aparecem de forma bem clara, sem floreio nem fantasia: a arara Blu não está no paraíso. A favela é feia, a violência existe e ponto.

Um dos pecados do filme talvez seja a trilha sonora. Ficou muito repetitiva, em um tom meio musicais de Carmem Miranda, estilo anos 30, algumas vezes, 50. O 3D é desnecessário, e a dublagem brasileira está perfeita. Acertaram em cheio não ter colocado nenhum ator global na dublagem, assim não deu cara a nenhum personagem e por isso eles ficaram mais originais, encantadores e críveis. Resumindo: Rio é delicioso de ver, rende risadas para crianças, adultos e só. Vale o preço do ingresso.
Para quem ainda não conhece, de acordo com a sinopse o filme conta a história de Blu, uma arara azul rara que pensa que é a última de sua espécie. Quando Blu descobre que há uma outra arara igual, ele deixa o conforto de sua gaiola em uma pequena cidade da gelada Minnesota e vai para o Rio de Janeiro.
Nome: Daniela
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