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  • Crítica: Os Agentes do Destino

Por Paulo Dantas

Publicado em: 06/06/2011

 

O filme Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau/2011) foi rodado a partir do contoAdjustment Team” do escritor de ficção científica Phillip K. Dick. Antes de começar a falar do longa, propriamente dito, cabe aqui uma pequena nota sobre o escritor, uma verdadeira mina para Hollywood no quesito filmes de ficção científica. É de uma adaptação de um conto de PKD, como ele também é conhecido, que se originou um dos mais belos filmes do gênero: Blade Runner – Caçador de Andróides. O filme lançado em 1982, com inesquecível trilha sonora do Vangelis. O ano, por sinal, foi o mesmo da morte do autor, devido a um AVC.

 

 

Mas há outros filmes famosos que beberam da fonte do escritor, caso de O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Impostor, Minority Report: A Nova Lei e O Pagamento.   

 

PKD viveu numa época de muita paranóia norte-americana, a famosa caça as bruxas – o escritor era filiado ao partido comunista. Nos seus livros ele buscava inspiração em ideias do Budismo, Kabalah, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas. Também combinava tudo isso com certos aspectos de crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial. Philip chegou a alegar ter sido contatado em 1974 por uma inteligência alienígena. O escritor chegou a estudar filosofia, mas abandonou o curso antes de terminar.

 

Devo ressaltar que não conheço o conto original que deu origem ao filme Os Agentes do Destino, mas fica claro para mim que o material é de primeira grandeza.

 

A história: David Norris (Matt Damon) é um jovem político com uma carreira promissora e em ascensão. O filme começa quando ele está à beira de uma campanha que o levará ao Senado. Contudo, um escândalo atrapalha a sua trajetória. Tão logo perde a disputa pela vaga ele conhece Elise (Emily Blunt), uma mulher misteriosa por quem se apaixona. É aí que ele é apresentado a alguns homens com estranhos poderes que podem interferir no futuro. Esses ‘seres’ começam a pressioná-lo para que ele não dê continuidade a este romance, porque isso poderá atrapalhar o futuro de ambos. A partir daí não dá para contar muito mais sem estragar a história.

 

 

No decorrer de todo o longa, há uma deliciosa discussão sobre Livre Arbítrio versus Destino Determinado. Na verdade, para mim, o filme é isso: a própria discussão. Já ouvi alguns defendendo que viram apenas a história de amor. Discordo. A história de amor, ainda que extremamente valiosa no contexto da narrativa, não é o ponto principal.

 

A película não tem grandes arroubos de direção, nem de atuação, ainda que Matt Damon (Gênio Indomável e O resgate do soldado Ryan) e Emily Blunt (O Lobisomem e O Diabo Veste Prada) estejam especialmente bem. A química entre os dois é muito boa. Outro ponto forte é a dinâmica do filme, uma mistura bem orquestrada entre drama, ficção científica e ação.

 

O diretor George Nolfi nos faz questionar qual será a melhor escolha para os dois: manter a relação e vir a não realizar seus potenciais ou seguir separados e dar ao mundo tudo que lhes é predestinado dar. David e Emily vão conseguir driblar um destino que busca a perfeição em ambas as vidas, mas que projetou uma realidade separada para eles? Uma realidade diferente seria justo para com eles próprios? E para as outras pessoas que poderiam ficar privados de seus dons? Até onde podemos arriscar egoisticamente?

 

O filme nos remete inevitavelmente a idéias já abordadas em Matrix e A Origem – não somos donos do nosso destino e nossa vontade. Há uma fala de um dos Agentes que é esclarecedora nesse aspecto. Algo assim:


“Nós os guiamos até o final do Império Romano e depois os deixamos a sua própria sorte e vocês deram ao mundo séculos de uma idade média. Nos aproximamos de novo, trouxemos o Renascimento, o Iluminismo, a Revolução Industrial e achamos que vocês poderiam ir sozinhos. E vocês mergulharam o mundo em duas grandes guerras”.

 

 

A ideia exposta aí não é necessariamente que não existe o Livre Arbítrio, mas que não sabemos fazer escolhas. Na Kabalah, de onde o filme também tira alguma de suas idéias, existe o Livre Arbítrio, mas de uma forma bastante peculiar. Podemos fazer escolhas, porém o destino é um só: fazer a vontade do Criador.

 

Nesta concepção, até quando o filme expressa o amor como um gérmen do caos na ordem que já foi determinada pelos Agentes do Destino – uma ordem que busca o máximo da perfeição daquelas vidas naquela sociedade – o longa mostra que o amor não modifica o resultado final, antes disso, acelera. Porque acrescenta uma vontade e uma escolha consciente, onde antes só havia inconsciência...

 

O filme é conduzido por George Nolfi  roteirista de O Ultimato Bourne e Doze Homens e um Novo Segredo que faz neste longa sua estreia como diretor. Também estão no elenco Anthony Mackie (Guerra ao Terror), Terence Henry Stamp (Superman e Teorema) John Slattery e Anthony Ruivivar (ambos da série Law and Order).

 

Recomendadíssimo.

 

 

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