Por Mônica Melo
Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Não demorou muito ganhou o mundo e sua música conseguiu chegar onde talvez nem ele pudesse imaginar. Gonzagão, assim como Lampião e Antônio Conselheiro, é uma daquelas figuras quase míticas que carregam nos seus estereótipos toda a marca da mais legitima nordestinidade, talvez apenas comparável a Jackson do Pandeiro. Ele morreu em 1989, mas até hoje ninguém conseguiu tirar-lhe a coroa de Rei do Baião. E também não há quadrilha junina que não dance ao som de canções suas.

Festa junina não é festa junina sem suas músicas que cantam todas as agruras e adversidades, bem como toda a poética de se viver em um cenário tão árido, mas de gente tão forte e guerreira. Seu Lula é uma daquelas figuras que fazem os nordestinos se lembrarem porque tem tanto orgulho da sua origem. Ele teve muitos parceiros como Elba Ramalho, Zé Ramalho, Gonzaguinha, Chico Buarque, Gal Costa, Domiguinhos, isso só para citar alguns, que se referiam a ele como mestre. Minha experiência pessoal com Gonzagão aconteceu na casa do meu avô, fã assumido e que tinha muitos vinis dele e até hoje ele não sai dos meus playlist seja São João ou não.
Para que os mais jovens tenham ideia da importância que o “mestre” teve na cultura popular brasileira e como ele era emblemático nesse sentido, pelos idos de 1968 surgiu o boato perfeitamente crível de que os Beatles gravariam Asa Branca, música eternizada na sua voz e que virou praticamente o hino do sertão. Coincidência ou não uma música lançada na época chamada The Inner Light, composição de George Harrison, tem uma sequência melódica muito parecida com a de Asa Branca. E por falar em Asa Branca, a canção ficou internacionalmente conhecida quando foi cantada por Carmen Miranda no filme Romance Carioca (Nancy Goes To Rio, em título original), dirigido por Robert Z. Leonard.
O Mestre Lua, outro apelido seu devido ao seu rosto redondo, cantou a história de um povo sofrido e batalhador, suas músicas mostram a alegria e garra e o lamento de quem luta dia a ‘dia pela sobrevivência em paragens quentes e áridas, mas que não desiste de viver e de cantar. Luiz Gonzaga gravou 625 músicas em 266 discos. Das 625 músicas gravadas por ele, 53 são de sua autoria (sozinho) e 243 são em parceria (Luiz Gonzaga e outros compositores).
O compositor mais gravado por Luiz Gonzaga é João Silva – autor de Nem se despediu de mim, Forró de cabo a rabo, Pagode Russo, Deixa a tanga voar, Danado de bom, Fiá a Pavi, Meu araripe, a maioria nos últimos discos de LG, nos anos 80. De João Silva, Gonzaga gravou 84 músicas.
Bom, de uma coisa é possível ter certeza, se houve alguém que deu um impulso a cultura nordestina e com ela rompeu qualquer barreira cultural, esse alguém foi Luiz Gonzaga e é possível que boa parte dos grandes ídolos oriundos da região permanecesse no ostracismo se Mestre Lua não houvesse aberto as portas, ou os ouvidos e os corações de todo país para as belezas da região mais ensolarada do país. Mesmo aqueles que não gostam de festa junina, gastem uns minutinhos para conhecer obra de mais esse gênio brasileiro.