Por Ingrid Heckler
Desde que J.K Rowling iniciou a saga do bruxo Harry Potter em seus livros, jovens e adultos se permitiram fazer parte desta fantasia e acompanhar esta história com grande entusiasmo. Mais do que isto, a autora incitou a leitura em diferentes países em que ler não é visto necessariamente como uma diversão - algo que deveria ser. Mas, como eu disse, ela ajudou a mudar isto. E “só” por este fato que J.K merece todo o crédito possível. Contudo quando adicionamos a uma potencial história o elemento cinema as proporções mudam. Ao se massificar a obra lhe damos o poder de se difundir com mais rapidez e força pelo mundo todo. Uma mídia ajuda a outra. E se ambas, em sua maioria, forem bem executadas. Então sucesso é a palavra mais óbvia para definir a consequência disso tudo.

E dentre os fãs da saga, há aqueles que apenas a acompanharam pelos cinemas, como representante deles, faço aqui minha análise do último capítulo de uma trajetória mágica que deixará saudades.
Em primeiro lugar, não gosto de analisar as partes dos filmes em separado. Antes todos os filmes do Harry Potter tinham um começo, meio, clímax e fim. Agora quando se pega uma história e se parte ao meio é um tanto óbvio que não haverá um clímax em uma das partes, afinal isto sempre fica perto do fatídico final. Então analiso as Relíquias da Morte 1 e 2 como um filme só. E que filme! Claro que na obra, como todos os fãs descrevem há muito mais detalhes e certamente mudanças de alguns fatos. Mas a execução deste último longa-metragem foi impecável.
É lindo observar como a trinca de atores Emma Watson, Rupert Grint e Daniel Radcliffe evoluíram em suas performances. Como foi bacana observar aquelas crianças crescerem diante dos nossos olhos e agora vê-los mais seguros e enfrentando um tom mais dramático e sério em que a história chega.
Aliás que final tem esta saga! Tudo que foi visto antes foi apenas uma grande preparação para o que viria. Presenciamos em seu desfecho não só algo bem feito, mas o clímax realmente de uma saga, ou seja, não de um filme, mas de todos os seis filmes anteriores. Isto é mérito de todos os envolvidos.
Aviso: se você não viu o filme e não leu o livro cuidado SPOILERS à vista!
Quer momento mais emocionante do que a revelação final que Harry recebe de Severus, em que descobre toda a verdade sobre o professor e sobre seu destino? Aliás, cabe aqui uma ressalva importante a este personagem: Severus Snape é certamente a melhor criação de J.K, simplesmente fantástico. Complexo, obscuro e firme em suas convicções ele é fascinante no antes, em que não sabemos de que lado ele está, e no depois, completamente perfeito quando descobrimos tudo.
Nos filmes anteriores sempre sentia mais simpatia pelos personagens secundários do que do próprio Harry, havia outras pessoas mais interessantes, além é claro, de todo universo em si que a autora criou e que já causava este fascínio. Mas devo dizer que neste último filme Harry Potter mostra o porque é o protagonista desta história e digo isto também com relação ao ator Daniel Radcliffe, que realmente dominou a tela. Digamos que o aprendizado, tanto do personagem quanto do ator foram essenciais para que ambos fossem capazes de fazerem jus a saga. E fizeram!
Ponto alto para o diretor David Yates, que assinou os últimos quatro filmes e que deu um verdadeiro show técnico neste final. O roteiro - desta parte dois - consegue emocionar e ainda trabalhar seus momentos mais importantes com precisão. O ritmo também foi outro ponto alto da trama. A trilha sonora, como sempre, um espetáculo a parte.
Aliás, todos os elementos ali estavam muito bem afinados para cumprir o que seus trailers prometiam “o final épico de uma história que marcou uma geração”. E para quem for assistir ao filme nos cinemas é exatamente isto, com todas as letras, que você irá ver. Inesquecível!