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  • Conheça toda trajetória do personagem Capitão América nos quadrinhos

Por Marcelo Soares

Publicado em: 03/08/2011

 

1941: o mundo estava em guerra. E, mesmo entre os países que não estavam diretamente envolvidos, em qualquer lugar era só sobre isso que se falava. A Segunda Guerra Mundial foi tão abrangente e importante que mudou o comportamento das pessoas e da sociedade. Todos viviam para a Guerra e pela Guerra. Para muitos segmentos do entretenimento não foi diferente, especialmente para os quadrinhos.

 

Conscientemente uma criação política, o personagem Capitão América surgiu do repúdio de Joe Simon e Jack Kirby aos métodos da Alemanha Nazista e decidiram que os EUA fariam parte da Guerra, nem que fosse na ficção.

 

 

A revista contava a história de Steve Rogers, um garoto frágil e doente que queria se alistar no exército. Devido as suas condições foi inicialmente rejeitado até que se ofereceu para participar de um programa experimental do governo, no qual receberia um soro nunca antes testado. Chamado de soro do super soldado, a substância elevou o corpo de Rogers ao auge da perfeição humana, dando ao garoto uma nova vida e a chance de lutar pela América ao lado dos países aliados. Usando um uniforme, máscara - inspirados a arte da bandeira dos EUA - e um escudo poderoso, que poderia ser atirado como arma, Rogers passou a lutar contra os nazistas sob o codinome de Capitão América.

 

 

As histórias do herói não fugiam muito da caça aos nazistas e os vilões eram sempre os países do Eixo, principalmente alemães e japoneses. Tinha também, assim como Batman, um parceiro mirim, Bucky (Bucky Barnes) - que acompanhou o Capitão em todas as suas histórias durante a Guerra. Os dois também participaram, junto com Namor, Tocha Humana (e seu parceiro Centelha), o velocista Whizzer e Miss America de uma equipe chamada All-Winners Squad.



Durante este período, Capitão América se tornou um personagem extremamente popular, de fato um dos mais populares da época, junto com Superman, Batman, Flash, Mulher Maravilha e Capitão Marvel. Mas, assim que a Guerra acabou, a popularidade dos quadrinhos caiu drasticamente e os personagens que tinham como principal suporte a simbologia política foram os mais afetados, com Capitão América não foi diferente. Após a morte de Bucky e a substituição dele por Betsy Ross, que se tornou a heroína Golden Girl, a revista não se sustentou por muito tempo e, em 1950, foi encerrada.

 

 

Ainda durante os anos 50, houve uma tentativa de trazer o personagem de volta, junto com Namor e Tocha Humana, numa revista chamada Young Men. O Capitão era citado como “Capitan América - Commie Smasher!” (algo como Capitão América – O Esmaga Comunas), no qual o comunismo da União Soviética era o vilão da vez. Mas o revival foi um fracasso e, cerca de um ano depois, Capitão América voltou novamente para o ostracismo. Pelo menos até a próxima década.

 

Nos anos 60, a editora Atlas acaba dando origem à Marvel Comics, que passou a criar personagens diferentes dos quais os leitores estavam acostumados. Monstros verdes, industriais com problemas de coração que usavam armadura, entre outros davam o clima da nova era de super-heróis.

 

 Foi neste cenário que, durante uma batalha contra os Vingadores, Namor joga ao mar um bloco de gelo - que alguns nativos adoravam como um Deus. Mas dentro deste bloco de gelo estava ninguém menos que o Capitão América, de escudo e tudo. Foi explicado que, ao fim da Segunda Guerra Mundial, o herói desaparecera misteriosamente. Na verdade ele acabou caindo no mar, onde foi congelado. Seu corpo foi mantido em animação suspensa no gelo até aquele presente momento, quando o ato de Namor causou o degelo que tirou o Capitão daquele estado. Inacreditavelmente o herói estava vivo e aparentemente bem e não demorou muito a fazer parte dos Vingadores, tornando-se líder da equipe.

 

 

Ao contrário da tentativa de reviver o personagem nos anos 50, que foi um fracasso, esse novo retorno de Steve Rogers foi muito bem recebido pelo público, principalmente devido ao fato de que os eventos passados durante a Guerra com o personagem não haviam sido esquecidos. Aliás, o sentimento de culpa de Rogers pela morte de seu parceiro mirim, Bucky, na Segunda Guerra, foi amplamente explorado - algo que demorou a ser superado pelo herói.

 

Só um bom tempo depois Capitão finalmente superou a morte de seu primeiro parceiro e deixou Rick Jones dar sequência ao legado de Bucky. Mas a carreira de Rick como o parceiro do Capitão não durou muito tempo. Depois disso, Rogers conheceu Sam Wilson, que depois se tornou o super-herói Falcão. A amizade entre os dois deu início a diversas histórias nas quais atuavam juntos percorrendo as estradas dos EUA e, por um tempo, dividiram a revista Capitão América e Falcão, na qual os dois atuavam como “heróis do povo”, por assim dizer.

 


Durante esse tempo, a vida pessoal de Steve Rogers não era nada fácil. Tentou uma série de empregos, como policial em Nova Iorque e até desenhista de quadrinhos. Mas seu compromisso como Capitão América o tornava relapso, fazendo com que ele nunca permanecesse muito tempo. Após um período, finalmente sua vida mudou quando recebeu uma fortuna, resultado do soldo militar que ele não havia recebido desde seu desaparecimento. Por um tempo viveu bem, até o governo começar a questionar de onde tinha vindo essa fortuna súbita.

 

Os anos 80 marcaram uma nova era para os quadrinhos. Se os anos 40 criaram o gênero e os anos 60 o revitalizaram, podemos dizer que os anos 80 o amadureceram. Após algumas tentativas ousadas, nos anos 70, de tornar os super-heróis mais relevantes, os quadrinhos estavam prontos para dar um passo à frente e se tornarem mais do que mero entretenimento barato.

 

Capitão América, ironicamente, foi um dos personagens que mais foi beneficiado por essas mudanças. Nesse período o personagem se envolveria nos mais diversos tipos de histórias, que iam desde nacionalismo extremista a vigilantes que assassinavam vilões. Histórias que envolviam senso de dever, ética e moral trouxeram boas tramas para o capitão nesta fase.

 

Após as investigações do governo sobre sua fortuna vinda do nada, Steve Rogers deixa de ser o Capitão América por um tempo e desaparece. Falcão, um personagem chamado Demolition Man e Nômade (Jack Monroe) decidem descobrir o verdadeiro paradeiro de Rogers, encontrando-o agindo secretamente sob o codinome de “Capitão”. Os heróis então atuam por um tempo com Rogers até este voltar a ser o Capitão América. Durante este meio tempo Rogers foi substituído por John Walker, que após o retorno de Steve ao posto de Capitão América, assumiu o uniforme que o herói usou enquanto agia como “Capitão” e se tornou o Agente Americano.

 

 

 

Capitão América também teve, no entanto, suas fases ruins - principalmente durante os anos 90. O herói teve o soro do supersoldado “retirado” do seu sistema. Posteriormente em um retcon foi explicado que o soro do supersoldado era, na verdade, um fluído no qual havia um vírus que alterava o DNA. Capitão América também teve que usar, durante um curto período, uma armadura protetora, pois seu corpo estava se deteriorando devido a efeitos colaterais do soro.



Além disso, o Capitão América também fez parte de uma iniciativa ousada da Marvel chamada Heróis Renascem. Em resumo: durante os eventos da megassaga Massacre, diversos heróis perdem a vida. Após esta saga, é lançada uma série de revistas com esses personagens, passadas em um outro universo. Esta iniciativa contou com nomes da Image Comics como Jim Lee e Rob Liefeld.

 

Entretanto a iniciativa foi um fracasso por uma série de fatores, que vão desde brigas internas entre autores e editores até o desgosto dos próprios leitores quanto ao rumo das histórias. Então, para consertar o erro, a Marvel trouxe todos “de volta” ao universo padrão e tudo voltou ao normal.

 

Depois que retornou a vida, após o fiasco que foi a iniciativa Heróis Renascem, a vida do Capitão América não mudou muito. Continuou membro dos Vingadores e enfrentando seus velhos inimigos, sozinho ou ao lado de outros personagens do universo Marvel. Mas não demoraria muito para que a vida de Steve Rogers fosse chacoalhada de forma intensa. Após revelar sua identidade secreta e passar a viver em uma vizinhança do Brooklyn, em Nova York, Steve Rogers fica a serviço da Shield e descobre que Bucky, seu parceiro na época da Segunda Guerra Mundial estava vivo. Ele foi salvo pelos soviéticos, que programaram sua mente para se tornar um assassino a serviço do governo soviético sob o codinome de Soldado Invernal.

 


Quando não estava em missão era deixado em estado criogênico, isso fez com que o personagem envelhecesse menos do que Rogers durante esse tempo - atingindo apenas a idade cronológica de um jovem de 20 e poucos anos.  Soldado Invernal reaparece quando é lançado um ataque terrorista nos EUA, matando centenas. A Shield e o Capitão América o enfrentam. Neste momento é que o Capitão descobre que o Soldado e Bucky são a mesma pessoa. Os dois se enfrentam e no final Bucky retoma suas memórias,  lamenta tudo o que fez e desaparece.

 


Nesse ínterim, a Marvel Comics passou por um evento conhecido como Guerra Civil. Na história, um grupo de heróis inexperientes enfrentam um vilão até chegarem a uma escola, onde este mesmo vilão explode a escola com alunos, professores e os heróis dentro. Essa tragédia força o governo a tomar uma atitude drástica e criar uma lei que obriga qualquer super-humano a se registrar perante o governo para poder usar suas habilidades. Alguns heróis ficam do lado do governo, outros não. Curiosamente, Capitão América é o primeiro a discordar da atitude do governo, o que o leva a liderar os heróis, que eventualmente passaram ser considerados criminosos.

 

 

O Homem de Ferro, que havia ficado a favor do registro e do governo, passou a liderar os heróis registrados contra os não-registrados, o que acarretou em uma batalha onde a linha entre o certo e o errado, entre herói e vilão desapareceu, e todos os ideais heróicos foram colocados em cheque. Ao se dar conta de tudo isso, Capitão América decide se entregar ao governo, pois suas ações estavam prejudicando o povo ao qual ele sempre protegeu.

 

Ao ser levado para julgamento, no entanto, Capitão foi atingido por um tiro vindo de ninguém menos do que Sharon Carter, amor de longa data do herói. Tudo não passava de uma grande conspiração, orquestrada pelos vilões Caveira Vermelha e Ossos Cruzados, que sugestionaram Sharon hipnoticamente para que cometesse o assassinato.

 

Tony Stark (o Homem de Ferro), recebe uma carta escrita por Rogers antes de morrer, que pede ao herói que “salve” Bucky, porque o mundo ainda precisava de um Capitão América. Isto posto e feito, Stark oferece o manto de Capitão para Bucky - que a esta altura já estava de volta e havia ajudado a Shield e tentado vingar a morte de Rogers - que acaba aceitando e se tornando o novo Capitão América.

 

 

Durante pouco mais de um ano, Bucky foi bem recebido como o novo Capitão, mas Steve Rogers não demoraria muito a voltar. Na minissérie Captain America: Reborn descobrimos que Steve Rogers não está morto, mas sim preso em um ponto fixo do espaço-tempo, em animação suspensa no tempo.

 

Após Reborn fica a dúvida sobre quem seguirá sendo Capitão América, mas Steve Rogers insiste que Bucky continue com o legado. Ele continua até a saga Siege, que está saindo atualmente e onde parece que Steve Rogers estará de volta ao manto de Capitão América e ao posto de líder dos Vingadores, ao lado de Thor e Homem de Ferro.

 

Capitão América é um personagem icônico e por mais que sua roupa e sua criação estejam diretamente ligadas ao patriotismo americano hoje o personagem, assim como Superman, representa ideais e valores que vão além de fronteiras continentais. Esperamos que ele continue levando esses valores adiante por muitas outras gerações.

 

  • Comentários desta Notícia

Nome: Alyssa Gedo
Comentário: Nossa, meus parabéns pelo texto. Entendi toda uma tragetória de um dos meus heróis preferidos. Mas como eu não li todas as revistinhas, ficou meio complicado entender tudo. Mas depois de ler esse artigo, tudo se esclareceu. Parabéns pelas pesquisa histórica. Adorei!

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