Por João Thiago da Cunha Netto
Desde o início dos filmes produzidos pela Marvel Studios sabe-se que este filme vai acontecer. E aí já se vão alguns anos desde o primeiro Homem de Ferro e do segundo Hulk. Já passamos por mais um Homem de Ferro e um Thor. Porém, era para este filme que todos os olhos estavam voltados quando se começou a falar sobre o grande projeto que a Marvel tinha para o cinema. Todos estavam olhando para o Capitão América.

Mas por quê? Estamos falando do mais emblemático, icônico e polêmico herói dos quadrinhos. O mais político, o mais cheio de bastidores, o mais amado e odiado. O mais mal compreendido e mais usado. O herói que é símbolo até para os outros heróis, que olham para ele como quem olha para uma estátua, um símbolo, um Deus. O herói que os antiamericanos odeiam, por pensarem que ele representa os ideais de um país considerado imperialista.
Não. Quem conhece Steve Rogers sabe que ele vai além disso. Quem sabe quem é Steve Rogers sabe que ele não representa o imperialismo e sim a liberdade e a igualdade, representados na bandeira americana não nos ideais de seus líderes. Tanto que ele já brigou contra os políticos americanos algumas vezes, concorreu à presidência, lutou contra o governo, tornou-se dissidente.
No fim tudo o que está por trás do símbolo é Steve Rogers (Chris Evans), apenas um cara do Brooklin.

E é esta a premissa do seu filme. Apenas um cara do Brooklin que não aceita a guerra sendo ganha pelos chucrutes. Só que este cara é franzino, sofre de asma, todos os problemas de saúde possíveis e imagináveis. Nunca é aceito pelo exército até que conhece o Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci), um cientista austríaco judeu que criou uma nova tecnologia: o soro do supersoldado. Steve, aquele menino franzino do Brooklin, então tem a chance de passar pelos testes de aptidão para o soro.


Esta é a melhor fase do filme, a construção do herói durante os testes. Como o caráter, a inteligência e a esperteza do pequeno Steve Rogers se destacam diante dos demais concorrentes para receber a primeira dose do soro. Evans está bem no papel, contendo seu lado mais caricato consegue passar a seriedade a Steve Rogers. Ainda que faltem elementos que construam melhor o personagem como ícone.
Sim, falta a face icônica do Capitão América. Falta ele enquanto símbolo da liberdade como o é. Falta o aspecto épico que é necessário em um personagem como este. Falta. Mas nada disso prejudica o andamento do filme - que lembra em tudo um bom Spielberg dos anos 80, como os Indiana Jones. Até uma piadinha sobre isso é feita logo no início do filme.

O elenco todo está muito bem. Destaques para Hugo Weaving, como o Caveira Vermelha, e para Tommy Lee Jones, como o Coronel Chester Phillips responsável pelos alívios cômicos ao longo do filme. Mas também é bastante difícil estes dois errarem.
Quanto à falta do sentido épico para a formação do herói, o que ocorre é que as missões que ele têm que cumprir como Capitão são muito pequenas - não dando o sentido ao tamanho que o guerreiro tem. Suas batalhas são contra a Hidra, um braço do nazismo. A suástica sequer aparece durante todo o filme - politicamente correto até a favor do nazismo, talvez - e o Capitão acaba surgindo como um soldado cumpridor de ordens e não um símbolo da luta pela liberdade.
No mais, um ótimo filme. Divertido, rápido, ágil e inteligente. Não é, ainda, o filme ideal do Capitão América, mas já está bem mais perto que as duas outras experiências cinematográficas anteriores.