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  • True Blood - Cruel e provocante, série traz nova temporada ainda mais viciante

Por Ingrid Heckler

Publicado em: 06/08/2011

 

Antes de prosseguir, saiba que o conteúdo abaixo está repleto de SPOILERS das temporadas anteriores e dos últimos episódios da quarta temporada da série


Em setembro de 2008, começou uma das séries mais interessantes dos últimos tempos. HBO, como sempre faz valer seu selo de qualidade, trouxe algo diferente, ousado e que não iria ficar no lugar-comum. Afinal romancear, aplicar eufemismos e açucarar é fácil, mas tornar viceral de uma maneira cativante, sexy e sem cair se perder não é para qualquer um. E isto True Blood tem demonstrado e muito bem. Como a quarta temporada acabou de começar, nada melhor do que alertar aos desavisados sobre a retomada, e em grande estilo, da série em seus primeiros episódios.

Todos que já assistiram alguma produção ou obra sobre vampiros sabem que a maioria delas, senão todas, trazem estes seres ocultos diante da sociedade, não há como eles coexistirem em um mesmo contexto, não é?! Até porque vampiros são predadores e sua principal caça somos nós, os seres humanos. Pois bem, TB chega para mudar isto, pois a história já se inicia mostrando que há pouco foi revelado a presença destes seres e que agora eles tentam se inserir entre nós, mais do que isto, eles pretendem ser aceitos em sociedade.

 

Mas como?! Simples. Cientistas japoneses descobriram uma fórmula que reproduz um sangue sintético, artificial - o nome desta bebida dá nome a série: True Blood. E esta seria a justificativa da classe vampírica para uma possível convivência pacífica, uma vez que eles “não teriam” motivo para nos matar.

 

A história se restringe a uma cidade sulista americana, chamada Bon Temps. Lá mora a protagonista Sookie Stackhouse (interpretada por Anna Paquin), uma jovem garçonete que possui algo inusitado, ela pode ler a mente das outras pessoas. Mas só alguns sabem desta sua habilidade. Morando em um local consideravelmente isolado, a cidade não traz grandes atrativos, sendo até mesmo entediante. É assim até a chegada do vampiro Bill Compton (Stephen Moyer), que não só rouba o coração de Sookie como irá atrair vários tipos de outros seres, bagunçando as estruturas da pacata cidadezinha. 

 

 Contudo o que eu descrevi acima se encaixaria perfeitamente em uma sinopse para a primeira temporada da série, até porque muita coisa já aconteceu. Por exemplo, atualmente Sookie e Bill romperam a relação. Mas, claro que ainda existe uma tensão entre os dois. Para situar você que nunca viu a série, nela temos um menu de seres esquisitos e bizarros: fora os vampiros há metamorfos, criaturas mitológicas, lobisomem e nos últimos tempos até fadas. É isto mesmo.

 

 

E se você está achando meio exagerado e acreditando em um conteúdo meio galhofa e tosco, pendendo para a fantasia saiba que não é isto que você vai encontrar. Como disse lá começo True Blood é viceral, ou seja, aqui não temos os fatos suavizados e sim expostos, cruelmente escancarados e o mais legal é que esta proposta tem um porquê. Vampiros e afins são seres movidos por instinto, ou seja, sexo, sangue e rock n roll. Eles não possuem sentimentos nobres e sim buscam pelo poder e pela satisfação de seus desejos e necessidades.  A sua casta é perversa e, embora possua sua organização, é bem corrupta e repleta de conspirações nefastas. Se é assim, não se pode ser suave não é mesmo?

 

Mas eu diria que uma vez criado este contexto fascinante o que temos é o desenvolvimento de várias questões sociológicas na série. Nada que vá mudar o mundo, mas que são bem trabalhadas. Um exemplo é o tráfico de “V”, sangue de vampiro, entre os humanos. Ironicamente neste caso a caça se inverte e aqui temos seres humanos caçando vampiros em busca de seu maior elixir, que nos mortais aguça seus reflexos e sensações, sendo extremamente mais potente que uma droga convencional. Quem já foi viciado em “V” foi Jason, irmão sem noção de Sookie, e que no momento enfrenta alguns problemas com metamorfos.

 

 

Temos a questão da homossexualidade com o personagem Lafaeytte (Nelsan Ellis) que demonstra ser muito bem resolvido e tem de seus amigos uma completa aceitação quanto a sua opção. Na primeira temporada houve algumas atitudes homofóbicas de alguns cidadãos com ele, mas depois isto foi deixado de lado. Hoje na série ele possui um namorado bruxo, Jesus (Kevin Alejandro).

 

Aliás é mais do que justificável que as pessoas, mesmo de uma cidade do interior, não prestem atenção na sua vida pessoal, afinal temos muitas coisas malucas e perigosas acontecendo neste universo. É mais fácil as repressões de relacionamentos serem destinadas a outros tipos de casais, os de espécies diferentes, vampiros e humanos, por exemplo. Indivíduos que desejam se unirem afetivamente e enfrentam o ódio dos que repudiam tal atitude. É o caso dos personagens Jessica e Hoyt (Deborah Ann Woll e Jim Parrack).

 

 

Com um apelo sexual forte a série pode chocar os mais puritanos ou acostumados a um conteúdo mais light. Por outro lado é totalmente compreensível o abuso de cenas mais quentes em TB, uma vez que seu universo dá vazão a isto. Nada ali é de graça ou puramente ousado para atrair mais audiência. Pois os vampiros clássicos – de “verdade”- não são nada bonzinhos. 

 

Tara (Rutina Wesley), prima de Lafa e melhor amiga de Sookie, passou por maus bocados nas mãos dos vampiros e de sua mãe alcoólatra e partiu rumo a uma outra vida fora da cidade, mas agora nesta quarta temporada regressa para rever a amiga que estava sumida. Outra mudança na série foi a da personalidade de Eric Northman (Alexander Skarsgård), o vampirão anti-herói que tenta conquistar Sookie, passou por uma má experiencia com uma bruxa e agora se encontra com problemas de memória, algo que já está rendendo alguns momentos hilários nestes primeiros episódios. E sim, você ouviu a palavra bruxa duas vezes por aqui, e é porque esta é mais uma novidade desta nova fase de TB.

 

 

Curiosamente a série traz cada episódio intitulado com o nome de uma música que nos créditos finais é tocada.  Foi criada por Alan Ball e é baseada na série de livros The Southern Vampire Mysteries da americana Charlaine Harris. Atualmente, a série está chegando em seu quinto episódio, mas nos EUA em seu sétimo. O programa é exibido pela HBO e vai ao ar todos os domingos à noite. 

 

 

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