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  • Entrevista - Conheça um pouco do Pai e Poeta Lau Siqueira

Por Thalyta Costa

Publicado em: 11/08/2011

 

“Porque tem horas nessa vida que só a arte pode nos salvar”, já dizia uma grande letrista contemporânea, Fernanda Mello. E nada melhor do que uma boa poesia para transcender o amor e celebrar a vida.

 

O dom de ser pai, por si só, já soa como um belo e encantador poema de amor. Pai é música, arte, colo, abraço apertado, ponto de apoio e equilíbrio. Com eles aprendemos que o amor é algo incondicional e que é possível viver de um jeito apaixonado e cheio de virtudes. A cada conquista, a cada emoção o sentimento se recicla e nossos pais, nossos heróis, se eternizam em nós.

 

Só eles sabem nos apresentar os melhores e mais promissores caminhos, nos incentivando a sempre seguir em frente com coragem e amor. Nenhuma palavra, verso ou poema seria capaz de definir a grandeza e a importância de um pai por completo, mas um poeta, quem sabe, pode representar, e muito bem, os pais em seu dia.

 

Por isso escolhemos uma figura paterna envolta em versos para celebrar toda a ternura desta data. Nascido no dia da poesia, pai de Mariana e Mayra, avô da menina Gabriela, o poeta gaúcho radicado em João Pessoa, Lau Siqueira é pai com P maiúsculo de Poeta. Dono de uma simplicidade que encanta, Lau escreve poemas desde os treze anos de idade e considera suas filhas como sua principal fonte de riqueza e felicidade. Confira abaixo um bate-papo paterno e poético.

Como começou sua paixão pela literatura? E qual foi sua principal fonte de inspiração para ser poeta?

Lau:  Foi um processo de "aletramento materno", pois desde muito menino sempre fui seduzido pelas fantasias, pelas imagens que saltavam das páginas dos livros. Uma irmã que hoje é professora de Literatura em Cascavel-PR foi muito especial nesse começo. Eu fui, talvez seu primeiro aluno e a diferença de idade entre nós era de apenas 6 anos. Ela brincava comigo a partir do mundo das palavras e eu ia me apaixonando pelo mundo dos livros, mesmo antes de ser alfabetizado. Não sei qual foi a minha principal fonte para ser poeta, mas na verdade comecei a escrever a partir da leitura de livros. Meus primeiros escritos, na adolescência, imitavam o personagem de um livro, Os Sonhos de José, de Sergio Antônio Raupp. Depois fui descobrindo meus caminhos na poesia, através de outras leituras e isso é permanente. Ainda estou descobrindo e espero nunca encontrar o final porque a criação poética para mim é um processo. Não existe poeta pronto. Quem acha que está pronto, morreu em vida. 

 

Qual relação você atribui entre o dom de ser pai e a magia da poesia?

Lau: Acho que você faz uma afirmação bem interessante. Ser pai  é realmente um dom. O dom de cuidar, não é pra qualquer homem. Todos os meus livros estão dedicados às minhas filhas. Elas são o meu elo máximo de amor. Acho que a poesia está intimamente ligada, através da linguagem, ao que há de mais intenso, de mais nobre existente na condição humana. Neste sentido o amor pelas minhas filhas e hoje pela minha neta me fortalece para ser o homem e o poeta que eu sou. Acho que isso tudo tem uma relação direta. A relação de amor, pela arte, pela poesia, pelo universo e pelo privilégio de ser pai de duas mulheres lindas, dignas, sonhadoras e sensíveis. Elas cresceram entre os meus livros, entre as minhas tentativas poéticas e ainda vivem e viverão essa circunstância, dividindo comigo o que a vida tem de mais verdadeiro que é o amor e a fé nos princípios que herdamos dos nossos pais e repassamos para os nossos filhos. Minhas filhas e minha neta são meus melhores poemas.

 

Você fala que tem uma grande fortuna, suas duas filhas e sua neta. Poderia falar um pouco delas para a gente?

Lau: Eu ficaria semanas, meses, anos... falando somente nelas e ainda assim não esgotaria meus argumentos. Minhas filhas me ensinaram a ser o homem que eu sou. Minha neta me ensina a cada dia a ser um homem melhor. Elas são bem diferentes uma da outra, seguem caminhos distintos, mas aparecem juntas na dignidade que traçaram como instrumento de voo para o futuro. São inteligentes sensíveis e dignas. Mariana está concluindo Design de Interiores e tem um grande compromisso com as questões da acessibilidade e sustentabilidade. Ela sabe que como profissional não terá apenas que conquistar seu sustento, mas manter um compromisso com a vida. Mayra, da mesma forma, não escolheu Biologia por acaso. Tem um profundo amor pela vida e pela Mãe Natureza. Ela própria sabe ser mãe de Gabriela e sabe conduzir a sua filha pelos melhores caminhos. E minha pequena e amada Gabi é uma criatura encantadora, imensa em seus sete anos. Está aprendendo a tocar violino, se interessa por ballet... Tem uma relação, desde muito pequena, de respeito e boa convivência com a arte e as questões da cultura do nosso povo. Adora dançar ciranda. 

Suas filhas já influenciaram sua arte?

Lau: Influenciaram, influenciam e irão influenciar sempre. Elas são boas leitoras dos livros e da vida. Ensinam-me permanentemente a ser um pai melhor, um homem melhor e um poeta melhor. Mayra, inclusive, me ensina a ser avô (risos).

 

Você lia histórias para suas garotas, quando crianças, antes de dormir? Quais eram? Havia alguma preferida?

Lau: Sabe essa tradição de “contação de história”? Pois bem, minha mãe sempre me contou histórias de bichos que falavam e uma, especialmente, de um louco que casou com uma princesa que não falava e só falou com ele e que com isso curou-se da loucura. Elas adoravam (e ainda adoram) por conta da encenação que a história propõe. Também eu lia algumas histórias, alguns textos da tradição da literatura infantil. Até que elas mesmas, muito cedo, foram pegando o gosto pela leitura. Por exemplo, da obra de Monteiro Lobato e da própria mãe delas, que é escritora de textos infantis. Eu lembro de um livro que li para elas que se chamava O Coração de Corali, de Eliane  Ganem, se não estou enganado. Era uma história que falava de uma menina que tinha um buraco no coração. Falava da angústia que também as crianças podem ter e que muitas vezes os adultos não percebem. Os adultos não percebem que, como dizia Rousseau, uma criança não é um adulto em miniatura.

 

Você compartilha de gostos literários parecidos com os de suas filhas?

Lau: Alguns sim e outros não. Mas, elas têm um gosto muito refinado. Uma vez Mariana me pediu uma indicação de um livro de um autor francês (Flaubert) e me apareceu lendo o livro no original. Até então eu não sabia que ela tinha tanto conhecimento em francês. Depois acabou indo à Paris e se virou muito bem, escrevendo e se comunicando. Mayra já se interessou mais por ficção e hoje tem lido muito mais coisas ligadas a Biologia, que é o sonho vida dela, e tem feito leituras filosóficas e esotéricas que é um outro assunto pelo qual ela se interessa. Mas, ambas curtem os bons clássicos da literatura e desconfio que até leem os meus livros... (risos). 

Como é a interação delas com seu trabalho? Você mostra seus textos antes para elas lerem, sempre busca saber suas opiniões?

Lau: Principalmente Mariana, que é leitora assídua do meu blog e possui um blog também. Algumas vezes escrevo uns textos e envio também para elas, por e-mail. Sempre preferi que elas ficassem muito a vontade para aplaudir ou vaiar meus textos, minha produção poética. Quero que essa seja uma relação espontânea porque eu prefiro ser muito mais o pai que elas querem ter que ser o poeta que elas são obrigadas a ler. Mas, a opinião delas sempre será muito importante pra mim, não apenas na poesia, mas em tudo.

 

Uma poesia que resuma o amor de um pai?
Lau
:  Minhas Luas (para Mariana e Mayra)

 

Por tudo  que sustenta
meus ombros e ampara
meus passos

começo de mundo 
num olhar mais denso 

nos teares do que 
às vezes arde na pele 
e explode nas ruas

minha cura... 
meu espelho d'alma

são as minhas luas
e uma revoada onde
abrigo e liberto meu 
coração passarinho

(escrito na sequência da entrevista, especialmente para as minhas filhas)

 

Qual dica de leitura você daria para os pais lerem com seus filhos?

Lau:  Monteiro Lobato seria um bom começo. Robinson Cruzoé, o clássico do Defoe seria uma outra dica porque, como diz Rolland Barthes, a literatura contém muitos saberes e neste livro o pai poderá discutir com os filhos, assuntos relacionados com a história, a geografia, a antropologia, a filosofia... enfim, neste ano terei poemas publicados numa grande tiragem da Editora Moderna, dedicada aos alunos do Fundamental I. Portanto, aproveito para indicar também os meus poemas, seja no blog Poesia Sim seja no livro Poesia Sem pele, recentemente lançado (risos). Acho que a garotada vai curtir muito a leitura de Alice Ruiz, a forma como ela brinca com as palavras. Indico também um autor amigo que eu adoro, André Ricardo Aguiar e toda boa leitura que possa ir seduzindo os pequenos leitores. A leitura não deve ser uma obrigação, mas um prazer. O ensinamento desse caminho deve ser o prazer de um pai. Tenho orgulho de guardar ainda hoje uma página do meu livro Teoria da Poesia Concreta, um livro clássico, com um pequeno risco de Mariana, então com uns dois anos. Enfim... a oferta de livros para crianças é uma fatia poderosa do mercado do livro e acho que os pais que quiserem incentivar os filhos na leitura não terão dificuldades.

 

Gostou de conhecer o lado pai do poeta? Registre sua opinião, compartilhe a emoção de ser pai ou filho (a). Nós da equipe Fique Ligado desejamos a todos os pais um feliz e encantador dia. 

 

  • Comentários desta Notícia

Nome: Lau Siqueira
Comentário: Perguntas inteligentes dá gosto de responder. Um beijo pra tu, Thalyta.

Nome: Fátima Pereira
Comentário: Esta é matéria fantástica!desmistifica todas abordagens supérfluas sobre a data.Parabéns a Reporter e ao Poeta,GRANDES PROFISSIONAIS!!!!!!!Sucesso para ambos

Nome: Léa
Comentário: Dido querido, adorei tua entrevista. Mostra a integridade de caráter que tens. Nós já sabíamos!!!! Bjs!!!

Nome: Lauri Siqueira dos Santos
Comentário: Oi Dido - belíssima a tua entrevista, bem como a demonstração de amor pelas tuas belíssimas filhas e neta Gabi.

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