Por Alisson Correia

A música sempre foi usada não só para entreter, mas também para desmistificar preconceitos, explorar a liberdade e a consciência de um mundo melhor, além de caracterizar épocas. Atualmente pouco se cria e muito se molda para que tudo soe como inovador ou diferente.
Nos anos 60 o Rock ’N’ Roll queria mudar o mundo, inspirando pessoas que gostavam do som estridente das guitarras, vestiam roupas estranhas, usavam cabelos e maquiagens completamente diferentes e queriam se rebelar contra tudo o que fosse padronizado pelo tradicionalismo ou pensamento conservador.
Elvis Presley na origem da música como elemento transformação social
Nos anos 80 Madonna mostrou que a mulher era muito mais e deveria explorar o lado sexual e independente, livre dos machismos. Ainda nessa década Michael Jackson dava vida e sentido aos clipes, que passaram a ser extensões das faixas. No final dessa época a música também se transformou num instrumento social para ajudar os mais necessitados.
Madonna – Like A Virgem e o potencial feminino longe do fogão!
Michael Jackson – Thriller – clipes que mais parecem “curtas”
USA for Africa – We Are The World – para chamar atenção à pobreza no continente africano
Durante os anos 90 a mulher independente não era somente sexy, mas também uma “girl power”, como pregavam as TLC, Destiny’s Child e Spice Girls. Já no fim desse período a “música vazia” ganhava cada vez mais espaço porque o objetivo era apenas entreter e reunir uma legião de jovens que queriam se remexer ou se identificar com os “dramas escolares” nas canções de Britney Spears, Christina Aguilera e das Boy Band’s com músculos e rostinhos bonitos!
Destiny’s Child – Independent Woman – o título já diz tudo
Britney Spears – Baby One More Time – chamando atenção na escola
Backstreet Boys – Larger Than Life – a maior boy band da época
Nos anos 2000 começa a fase que mistura liberdade com a sexualidade, livre de qualquer castidade. Quanto menos roupa, mais atitude (!)
Britney Spears – I’m Slave 4 U – todo mundo boquiaberto com a mudança apresentada pela cantora naquela época
Christina Aguilera – Dirrty – agora eu sou uma mulher livre!
Recentemente a música retoma os elementos que estavam presentes em todas essas épocas: sexualidade, liberdade, rebeldia e com o incremento de algo inédito em algumas das outras décadas: o uso massivo de uma potente tecnologia.

Nada que Lady Gaga, Ke$ha ou Katy Perry façam hoje é totalmente original, ao contrário do que pensa a nova geração. Elas fazem caridade, grandes clipes, são rebeldes, sexys e ainda “defendem as minorias”. Hoje a música ainda é “advogada” de muitos, como foi das mulheres e dos inconformados com o conservadorismo, mas agora é a vez dos gays e dos que se sentem feios, que sempre existiram, mas não encontravam quem os “acolhessem”.
Katy Perry – E.T – a relação amorosa entre pessoas completamente diferentes, sem preconceitos e com muita tecnologia
Willow Smith – 21st Century Girl, usando cabelos e roupas muito à frente da sua idade!
Nicki Minaj faz muito mais que letras para chamar atenção
Achei importante colocar esse assunto porque vejo a nova geração classificar como inédito e original algo que já existe. Tudo é apenas explorado por meio de novas perspectivas e de acordo com os anseios de cada época, com cada vez menos preconceitos e muito auto-tune.