Por Ingrid Heckler
Todos possuem algum incentivo para se interessar por algo, aquele start para curiosidade e que estimula você a correr atrás de um objetivo. No cinema muitos compram um filme por seu diretor, estúdio, e claro seus atores. Este foi meu caso com o longa-metragem Um Conto Chinês.

Quando vi que Ricardo Darín fazia parte do elenco logo fiquei curiosa. E também não é para menos, Ricardo é um dos atores argentinos mais bem-sucedidos dentro e fora de seu país. Ele está nas melhores produções da Argentina dos últimos anos, só para citar alguns nomes temos o excelente Nove Rainhas (2000) - que eu super recomendo e que fez tanto sucesso nos EUA que teve até um remake, Criminal (2004). Continuando a lista, O Segredo de Seus Olhos (2009) levou em 2010 um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para casa e no mesmo ano foi lançado o polêmico e forte Carancho (2010).
Aliás cabe aqui abrir um parêntese: cinema vai muito além das fronteiras norte-americanas. Óbvio que a experiência no ramo rende aos EUA ótimas produções e um crédito difundido mundialmente. Afinal eles são considerados por muitos os melhores da indústria, e tem seu mérito por isso, mas ficar limitado ao pensar que bom cinema só se faz lá não dá. É preciso se abrir para novas experiências, se permitir beber em outras fontes e descobrir a beleza criada sob a ótica de outros tantos e excelentes profissionais mundo a fora.
Um Conto Chinês chega para mostrar isso. O filme, que é uma produção argentina, traz uma história forte, ao mesmo tempo inocente e com uma narrativa simples - mas extremamente encantadora. Aliás, esta simplicidade se torna uma das fórmulas mais inteligentes para conquistar o público ou, melhor explicando, o seu roteiro fantástico se revela o grande responsável pela enorme simpatia e curiosidade que se cria em torno de seus personagens tão bem construídos.

É interessante perceber como em pouco tempo você se torna uma testemunha ocular na vida de Roberto (Ricardo Darín), dono de uma loja de ferramentas em Buenos Aires. Ele, como todo anti-herói, fascina por seus defeitos e conquista de uma vez por suas qualidades involuntárias. Logo no início somos convidados a acompanhar o dia a dia deste homem metódico ao extremo e com um enorme
Há outros personagens na trama, mas não são muitos, nem por isso menos importantes e interessantes a história. Como o título do filme anuncia temos um chinês na jogada, Jun (Ignacio Huang), e é ele a bomba que vai cair de paraquedas e abalar as estruturas da vida de Roberto. Maria ou Mari (Muriel Santa Ana) é apaixonada por Roberto, mulher que ele tenta afastar ao mesmo tempo que deseja fortemente. Ela é o seu oposto, do tipo extrovertida e que não esconde o que sente.


Bom, tudo acontece quando o personagem de Ricardo encontra o pobre chinês perdido pelas ruas de Buenos Aires. Embora não tivesse a menor vontade, acaba embarcando em uma odisseia para ajudar o pobre rapaz a encontrar seu tio. O grande problema é que Jun não fala uma palavra em espanhol e tão pouco Roberto sabe qualquer coisa em chinês. Dito isso já dá para você imaginar as situações mais loucas e engraçadas que estes dois irão viver juntos.
Mas a comédia
Com direção de Sebastián Borensztein (Sin Memoria), Um Conto Chinês merece ser conferido e visto até mais de uma vez, pois carrega uma mensagem inspiradora e emocionante. Super-recomendado!