Por João Thiago da Cunha Netto
Não é de hoje que Spielberg anda meio “otimista” em relação à humanidade. Na TV, por exemplo, acabou há poucas semanas Falling Skies, que mostra uma invasão alienígena bem-sucedida contra a Terra e a luta dos sobreviventes para tomarem o planeta de volta. No dia 26 estreará Terra Nova, que conta como os humanos tiveram que voltar no tempo para poderem sobreviver, indo ao período paleolítico conviver com grandes dinossauros.

É da primeira que vamos falar. Falling Skies e seu pessimismo humano. A série acompanha um professor de história americana, interpretado por Noah While (o doutor Carter, de Plantão Médico, lembra?), que acaba se tornando segundo no comando em uma das unidades de resistência localizadas em Boston, nos Estados Unidos. O conhecemos quando a cidade em questão cai nas mãos dos inimigos, os Saltadores, raça extraterrestre de lagartos de seis pernas que seqüestram crianças para construir estruturas metálicas gigantes.
O plot básico é este. Como toda série sobre grupos de sobrevivência, vemos os conflitos internos e os interesses pessoais de cada personagem. As subtramas são pouco exploradas. O objetivo é contar a história do doutor Carter, digo, de Tom Mason e como ele luta para sobreviver e manter seus filhos em segurança.


A série trata muito do assunto família, coisa bem Spielberg de se fazer. Tom luta para resgatar um de seus filhos que está nas mãos dos alienígenas como um dos arriados. A relação de proteção que ele tem com os filhos se dá por causa da morte de sua esposa. Ao que tudo indica, ele não era um pai muito presente antes do mundo virar de cabeça para baixo.
Mas isso é ao que tudo indica, pois nada é falado na série. Não existem flashbacks, então ficamos imaginando o que aconteceu. Somos arremessados em um mundo destruído, diante de uma sociedade destroçada e temos que absorver tudo isso de uma vez só. O elenco fraco não ajuda muito a criar simpatia pelos personagens. O ator que faz Hal, filho de Tom, Drew Roy é um dos protagonistas e deixa muito a desejar. Este personagem, mal trabalhado, é o perigote das moçoilas, quase um Zé Bonitinho pós apocalíptico, que deixa todas as meninas (todas mesmo) de sua faixa etária com vontade de ficar com ele.
Exceções são o próprio Noah While que, apesar de não ter saído do Dr. Carter, consegue nos arrebatar com sua paixão por história e batalhas travadas em solo americano, além dele se destaca Will Patton, que vive o capitão Weaver, o líder da 2ª de Massachussets, o batalhão que está no centro da trama. Intercalando canastrice digna de militares com minimalismo, surpreendente para uma série tão cheia de explosões, suas nuances são interessantes e seu personagem pode render bastante.

O que esperar da próxima temporada? Se você não quer saber, pule este parágrafo, pois VEM SPOILER POR AÍ.
Com Tom sendo seqüestrado pelos seres azuis, os verdadeiros chefes dos saltadores, podemos conhecer um pouco mais de sua cultura. Eles foram atingidos e querem saber exatamente o que os atingiu. Apesar de todo o otimismo de Spielberg, o arreio nas costas de Ben (Connor Jessup, fraquinho, fraquinho) foi retirado, mas os espinhos continuam avançando no processo de transformação dele como um saltador. Weaver perdeu grande parte da 2ª Mass, mas a tecnologia avançada (rádio de válvula) desenvolvida conseguiu fazer os humanos vencerem uma batalha.
A segunda temporada promete ser melhor que a primeira, não que muito seja necessário para atingir este objetivo. Basta que Spielberg seja um pouco mais pessimista em relação à humanidade e às intenções dos extraterrestres e que se preocupe com histórias periféricas. Tem muito o que explorar em uma invasão alienígena, e acredito que os dez primeiros episódios da 1ª temporada são apenas o começo. Fraco, arriado, mas um começo.