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  • Glee – Terceira Temporada

Por Mônica Melo

Publicado em: 28/09/2011



AVISO: O CONTEÚDO ABAIXO POSSUI SPOILERS


Todo o público que aprendeu a gostar e se identificar com a turma do coral New Directions, da escola William McKinley, está cheio de expectativa em relação a terceira temporada da Glee. Como fã da série desde o primeiro episódio, também tenho as minhas próprias. Uma das maiores é com certeza saber como os vencedores do The Glee Project, Damian McGinty e Samuel Larsen, vão entrar no seriado. Ficou bem claro, desde o princípio, que Ryan Murphy procurava atores-cantores com um perfil completamente looser, que é o foco da série, mas existem muitos tipos de looser. A dúvida agora é qual será o tipo destes vencedores, além de Lindsay Pearce e Alex Newel, que também ganharam direito a uma participação no programa. Agora a gente começou a ter as perguntas respondidas com a exibição do primeiro episódio! Destaque especial para Lindsay Pearce que cantou um mix de Anything Goes e Anything You Can Do, verdadeiros clássicos bastante íntimos para quem é fã de musicais do tempo do ronca ou do tempo que "o cão era menino", como dizia minha avó.

 



Outra grande questão é saber qual a repercussão da transmissão do seriado na TV aberta, ainda não dá para ter certeza do impacto. Levanto este ponto porque ainda não entendi os motivos que levaram a Rede Globo a exibir a série aos sábados a tarde. Na Fox ele é transmitido a noite e bem tarde. Acho que a emissora fez uma grande confusão, mas não foi só ela. Pelo fato da trama ser ambientada em uma escola não significa que a temática seja adolescente. Aliás, os temas discutidos são tão áridos e tão pouco adolescentes que nenhum dos atores tem menos de 18 anos: é exigência da produção. Glee trata de diversas questões sociais delicadas e cercadas de tabus, tais como gravidez na adolescência, alcoolismo, drogas, morte, religião e religiosidade, transtornos alimentares, desemprego, preconceito e sexo, incluindo aí a discussão sobre homossexualidade.

 

Do elenco já existente, temos a maioria dos alunos às voltas tentanto decidir qual faculdade irão cursar. Brittany e Santana voltarão a ser líderes de torcida, mas Quinn saiu do Glee Club, mudou o look e se uniu a um grupo envolvido com coisas “sinistras”. Na verdade esse grupo reflete bem mais sua personalidade um tanto obscura do que qualquer outro que ela tenha participado.  Sue se envolverá com a política e o clube passará pelas mesmas agruras do ano anterior, na tentativa de conquistar o campeonato nacional de corais. Rachel, Finn e Kurt continuarão em Glee até a quarta temporada e talvez até por mais tempo. O Finn eu não digo nada, mas ficar sem a voz do Kurt, por enquanto, seria realmente péssimo. Pelo que se diz por aí, Glee será uma espécie de Malhação. Calma, não surtem, vou explicar: alguns personagens, como os professores, serão fixos, enquanto novos alunos vão e vem como em toda escola normal.

 



O bonitinho do Sam interpretado pelo bicudo Chord Overstreet não volta, mas um novo namorado para Mercedes já foi providenciado. A diva merece alguém legal. A nova temporada promete um foco maior nos personagens e na própria história do que na música. A terceira temporada vem um ano após a segunda. Esta última recebeu críticas não tão positivas justamente por não dar a merecida atenção a seus personagens, figuras tão humanas ou, mais que as músicas, que aproximam os espectadores. Foi isso que conquistou o público na primeira temporada.

 

Não que a música seja menos importante, ela é alma do show e foi por conta dela, somada ao meu gosto musical, que comecei a ver a série, inclusive quem me indicou foi um músico. Mas as músicas, a grande maioria covers, podem ser ouvidas no rádio ou na internet. O que aproxima realmente o público é que todo mundo encontra lá um “perdedor” para chamar de seu ou dentro de si mesmos, embora muitos não admitam. Deixa eu explicar: a maioria dos pobres mortais não foi o aluno mais popular da escola e teve (ou ainda tem) espinhas, excesso de peso, nariz grande, usa óculos, é tímido, tem uma orientação sexual diferente, se veste mal, era CDF ou levava bomba em quase todas as matérias, tem frieira, pereba, “tem piriri, tem lombriga, tem ameba”, como diria Chico Buarque. Aliás, quem não sofreu nenhum tipo de bullying na escola é provável que nunca tenha pisado em uma. A adolescência é uma fase muito cruel na qual sabemos muito mais que os adultos supõem e foi muito pior do que a maioria gosta de lembrar. É que nossa memória é seletiva e a gente só lembra que na época não tinha chefe chato nem conta ptra pagar.

 

 

Tudo bem, essas coisas não são nenhuma novidade no mundo das séries e do cinema. Todo bom roteirista já percebeu que quanto mais normal, ou seja, cheio de defeitos e menos perfeitinhos forem os personagens, mais legal será. Já bastam as revistas nos mostrando padrões de beleza inatingíveis, que enchem a maioria de frustração, e modelos de sucesso, que muitos nem sequer podem sonhar. Todos têm seu lugar ao sol e podem ser felizes com suas imperfeições. A gente assiste isso em Mike & Molly, Os Simpsons, The Middle e The New Adventures of Old Christine, só para mencionar alguns. Mas nunca uma série teve uma gama tão grande de personagens críveis e tão normais quanto Glee.

 

Voltando ao The Glee Project, Damian McGinty será o primeiro ganhador a participar do programa, interpretando um estudante de intercâmbio chamado Rory. Ele aparecerá no quarto episódio da temporada e ficará hospedado na casa de Brittany, o que deve deixar Santana com muito ciúme.

 

 

Já Samuel Larsen deve aparecer apenas por volta do episódio nove, exatamente para que os roteiristas consigam focar as energias nos personagens principais no início da temporada. É por esse motivo que as participações especiais ficarão reduzidas pelos primeiros nove episódios.

 

Além dos pais de Mike Chang, mais personagens terão seus parentes apresentados nessa temporada. A professora Emma, interpretada por Jayma Mays, também terá a visita dos parentes. Os papéis ficarão nas mãos de Valerie Mahaffey (Desperate Hosewives) e Don Most (Happy Days e Star Trek: Voyager). E por falar em parentes, quem retorna a Glee é Shelby Corcoran (interpretada por Idina Menzel), a mãe de Rachel.

 

Chega de spoilers por hoje e até o segundo episódio da terceira temporada!

 

  • Comentários desta Notícia

Nome: João Thiago
Comentário: Glee deixa a desejar em seu roteiro, mas tem músicas e interpretações lindas. Assisti, até agora, metade da primeira temporada e, sinceramente, não achei os personagens bem desenvolvidos. Ainda precisa comer feijão com arroz para me convencer.

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