Por Mônica Melo
Atire a primeira pedra aquele que nunca teve uma amizade colorida na vida! Tá bom! Aposto que tem gente já com pedras na mão nesse momento. Mas nem tanta gente assim. Em um mundo no qual as pessoas tem cada vez mais dificuldade em se relacionar de forma saudável nada parece melhor para suprir as carências emocionais e físicas do que um relacionamento desse tipo. O problema, como sempre, são as variáveis. É que afinal de contas somos todos seres humanos e como nossas cabeças e corações são lotados de insondáveis mistérios, as vezes isso dá m#@%!!!

Isso fica claro no longa que chegou aos cinemas na última sexta-feira, 30 de setembro. O filme Amizade Colorida, trouxe Justin Timberlake e Mila Kunis nos papéis dos coloridos amigos em questão. No longa, Dylan e Jamie decidem que são amigos o suficiente para poderem fazer sexo de vez em quando, acreditando que não tem nada de mais. A partir daí surgem as complicações mais óbvias e comuns a um relacionamento destes: alguém se apaixona.
Bom, para começar, o filme não é nada revolucionário, no começo do ano teve uma comédia com Ashton Kutcher e Natalie Portman (Sexo sem Compromisso) que tinha a mesma premissa. É apenas uma comédia romântica mais apimentada do que normalmente são as produções do tipo e cujo final você já sabe antes de sequer ler a sinopse: tudo se resolve e os amigos coloridos viram um casal preto e branco, ou nem tanto assim.

O filme em momento algum se mostra disposto a chamar atenção pelo enredo divertido, embora tenha dado boas risadas, não com muito entusiasmo, é bem verdade, em muitos momentos e os diálogos e planos sejam rápidos e empolgantes. Ele quer atrair público mesmo com as cenas para lá quentes protagonizadas pelos belos corpos de Justin Timberlake e, as vezes Mila Kunis, outras vezes uma dublê de corpo. O tema é abordado de forma meio clichê mesmo: os mocinhos acabam confusos emocionalmente e tem medo de ficar por baixo admitindo que se envolveram mais do que o que foi combinado entres as partes. Esse tipo de relacionamento foi moda nos anos de 1980, mas foi deixada meio de lado (talvez pelas tragédias emocionais que causaram em algumas pessoas, vai saber). Apesar disso, o filme em muitos momentos ironiza esses mesmo clichês, principalmente no começo. O problema é que o filme precisa de bilheteria e por isso não pode desiludir o público e cai na armadilha dos “felizes para sempre”. Não vejo nenhum tratado de psicologia sobre o comportamento sexual humano, como praticamente dizem alguns críticos, só mostra que as vezes o coração e a mente não andam juntos.
Mila Kunis surpreende. Não que o papel dela seja lá muito difícil ou exija grande carga emocional, mas a gente percebe que ela é talentosa porque praticamente esquecemos que a moça era a bailarina obscura de Cisne Negro, mesmo que o grande forte de ambas as personagens seja o intenso magnetismo sexual evidente. Você não vê nenhuma sombra de um personagem no outro.

Uma coisa que eu gostei de ver no filme também foi que a pessoa mais lúcida em relação ao amor e a vida é o pai do personagem de Timberlake, que apesar do Alzheimer (ou por causa dele) consegue ter uma visão mais doce e ao mesmo tempo realista da vida. Essa é a questão da identificação. Minha avó tem a doença e algumas vezes consegue dizer as coisas mais lúcidas do mundo. Outra parte muito bacana foi o flash mob feito na maior estação de metrô de Nova Iorque. E se prepare também para o bombardeio de merchandising.
Resumindo: vale a pena uma conferida sem grandes expectativas, ele até engana a gente no começo, mas depois mostra-se tão revolucionário quanto, sei lá, Legalmente Loira, ou seja... por outro lado pode ser até um filme didático, preste atenção nas coreografadas cenas de sexo e quem sabe você possa copiar alguma coisa depois.
Nome: Kássia Scharlau
Comentário: Natalie Portman fez Cisne Negro, e não Mila Kunis, como foi citado ali.
Nome: Equipe Fique Ligado
Comentário: Mila interpretou a bailarina Lily no filme Cisne Negro. Aliás sua personagem foi fundamental na transformação sofrida pela personagem central aí sim interpretada por Natalie Portman. A atriz chegou a ser indicada ao Scream Awards de 2011 pela sua participação no filme.