Por Ingrid Heckler
Desde que as primeiras notícias a respeito da série American Horror History começaram a sair muitos materiais bizarros e interessantes surgiram. Se intitulando uma série de terror a produção ganhou destaque, principalmente por se colocar neste gênero, afinal há poucos que se aventuram e conseguem sustentar uma trama realmente assustadora no formato seriado. O porquê disso? Porque não é tão fácil fazer as pessoas se assustarem de verdade. Às vezes manter este clima durante um filme já é difícil que dirá em uma série. Claro que existem os mestres do terror e mentes perturbadoras promissoras hoje em dia, mas elas não são a maioria. Na realidade, analisando de forma geral o contexto medo poucas são as produções que realmente causam um efeito impactante. Então trazer uma plot envolvida no terror, além de uma ousadia, é um grande risco.

Pois bem, em seus dois primeiros episódios American Horror History não conseguiu impactar, mas conseguiu chamar atenção. Primeiro porque não apresentou o horror prometido e sim um suspense muito interessante, mas ainda amarrado por muitos clichês. E segundo, cativou por apresentar uma trama e personagens bem sombrios, distribuídos em um elenco que apresenta nomes de peso e alguns novatos. Roteiro e figuras intrigantes, uma boa combinação para sustentar e ao menos dar um bom crédito inicial a série.
O episódio piloto sempre é complicado, porque afinal ele tem a missão de convencer você a comprar a ideia da série. Nele sempre há muita informação, o que pode complicar e tornar tudo muito acelerado e foi justamente isso o que aconteceu. O ritmo acabou frenético demais. A edição deixou um pouco a desejar, optou por trabalhar com muitos cortes rápidos e tentou destrinchar em pouco tempo vários mistérios e subtramas, em uma tentativa de apresentar rapidamente o que esperar da história ou ao menos deixar várias pontas soltas no ar.


A ideia da série por si só já é clichê: casa assombrada versus novos moradores. Contudo, depois de muitas bizarrices e alguns momentos WTF – como o misterioso ser sadomasoquista - é no segundo episódio que a trama começa se mostrar de fato, o que talvez fundamente sua identidade e conquiste fãs.
AVISO AOS NAVEGANTES – SPOILERS À VISTA
O que ficou mais do claro é que o grande personagem da série é a casa, todos os outros são meras peças dentro de um jogo sinistro. Cada episódio traz uma abertura que remete a um flashback, no qual é apresentado tragédias ocorridas ali, o que faz crer que vários acontecimentos terríveis permeiam a história deste local. O primeiro apresenta uma levada mais sobrenatural (a melhor sequência do episódio piloto) e o outro não. Parece que o grande barato que a série deseja promover é aos poucos montar o quebra-cabeça que irá revelar a raiz maligna e obscura que reside ali. Este é um dos pontos altos da produção e se bem executado pode realmente cativar o público que aprecia o gênero.
Quando não se está nos flashbacks a história acompanha a vida de uma família: formada por um terapeuta, Ben Harmon (Dylan McDermott), sua esposa, Vivian Harmon (Connie Britton), e filha adolescente, Violet Harmon (Taissa Farmiga). Eles acabaram de se mudar para esta antiga mansão em Los Angeles e, a princípio, acreditam que apenas um crime aconteceu ali. Esta família carrega um conflito forte, pois o motivo da mudança se deu pelo adultério de Ben, que tenta reconquistar a mulher e a confiança da filha, e o aborto espontâneo ocorrido com Vivian. Lá eles pretendem começar do zero... Parece que escolheram “bem”.

Porém estes personagens ainda não se mostraram muito. Ok, a série só teve dois episódios até agora, mesmo assim outros já chamam atenção. O que temos aqui é um quarteto interessante, um tanto lugar-comum quando se pensa em suspense/terror, mas que pode render no decorrer da trama. O grupo apresenta a vizinha Constance (Jessica Lange), Tate (Evan Peters) o adolescente que se trata com Ben, a governanta Moira O'Hara (interpretada pela veterana Frances Conroy de A Sete Palmos, que adoro) e o sobrevivente Larry Harvey, vivido pelo excelente Denis O'Hare, que fez uma participação memorável na terceira temporada de True Blood. Ah! Ia me esquecendo da filha de Constance, Addy, que sabe ser bem sinistra também.
Embora seja prematuro dizer se a série será sucesso ou não, seu elenco pode fazer a trama funcionar. A ideia é interessante e consegue prender atenção, ainda que até agora se tenha visto mais suspense do que qualquer terror, os personagens, principalmente seu protagonista, a casa, são um atrativo especial. Lembrando que a série é do mesmo criador de Glee e Nip/Tuck, Ryan Murphy. Estreou dia 05 de outubro nos EUA e chega ao Brasil dia 8 de novembro pela Fox.
E você está acompanhando American
Nome: Felipe amorim
Comentário: Otima :)