Por Thalyta Costa
O fato de enxergar no pôster de um filme vários nomes famosos é algo altamente empolgante, concorda comigo? Além disto, o fato de você saber que o filme vinha das mãos do diretor Steven Soderbergh (Traffic) e que retrataria um drama contemporâneo vivido por toda a humanidade, seria inevitável não apostar que algo espetacular e surpreendente estava por vir. Diante de tantos pontos positivos achávamos que valeria a pena confiar e criar múltiplas expectativas para a estreia de Contágio.

Eu, por exemplo, esperava muito por esse filme e de fato gostei – da companhia que assistiu comigo, não do filme. Devo confessar que senti sono durante a exibição e saí do cinema com muita dor de cabeça e acho até que no pós-filme eu devo ter desenvolvido algum tipo de TOC (transtorno obsessivo compulsivo), e um sentimento de paranoia que antes de entrar naquela sala de cinema não me pertencia.
Portanto a dica número um que deixo é a seguinte: se você tem sintomas ou conhece alguém hipocondríaco jamais assista ou indique este filme, que em linhas gerais retrata o que aconteceria com o mundo se um vírus mortal causasse uma epidemia global. Para quem já passou por algum susto epidêmico, a exemplo da gripe suína, a H1N1, entre outros, a trama causa um frio na barriga. As cenas que retratam os efeitos do vírus são tensas, o grau de realismo de fato espanta, mas ainda assim o longa deixa muito a desejar.

Contágio, ao contrário do que falam por ai, não é um terror contemporâneo, muito menos um filme surpreendente. Digamos que não passa de um drama estilo aqueles documentários chocantes que assistimos no Discovery Channel. Um roteiro lotado de prós e contras, no geral até “bacana”, porém sem suspense e com razoáveis emoções.
Um filme com diversas linhas narrativas na qual nem todas são convincentes, algumas são até dispensáveis. Imagine um drama com no mínimo sete personagens principais, alguns mortos logo em sua segunda ou terceira aparição. Essa overdose de protagonistas sem nexo dá um nó tremendo na trama e o roteiro peca em dar espaço a pequenas histórias que não acrescentam em absolutamente nada. Na verdade o protagonista mesmo é um vírus de procedência desconhecida e ponto final. Essa charada é super previsível e com todo respeito ao renomado diretor Soderbergh e seu roteirista Scott Z. Burns, não precisava tantas voltas muito menos colocar tantas estrelas caríssimas no elenco só para tornar complicado algo que já estava na cara.


Em meio a tanta decepção com o filme devo destacar um ponto alto. O roteiro em si é altamente globalizado, isso eu achei bem legal. Eles conseguiram retratar como o mundo ficaria diante de uma situação trágica como a do vírus. O roteiro vai da Europa à Àsia de forma fantástica, mas centra as atenções nos EUA o que infelizmente faz mais uma vez o filme se tornar previsível e perder um pouco da graça.
Por fim devo confessar que se esta obra pretendia deixar uma mensagem, sinto muito, mas não passou de um alarme sem lógica, sem reflexão alguma, só uma aparente agonia pessoal. Não sei se pelo fato de ter esperado tanto por tão pouco ou por realmente ter medo de ser vítima de uma epidemia do tipo, afinal vivemos na era do tudo é possível - vai saber se o lance do morcego com os porcos não pode ser alguma profecia cinematográfica (risos). A mensagem que vale para o momento é que Contágio não passa de um desperdício de elenco, vou listar aqui os nomes de peso, só para quem não viu entender melhor: Matt Damon – o melhor em cena – Marion Cotillard, Kate Winslet, Laurence Fishburne, Gwyneth Paltrow e Jude Law (dono do melhor personagem), além de ‘figurantes’ John Hawkes e Bryan Cranston. É muito nome poderoso para um filme que não causou impacto, não acha?
Contágio até que tenta ser diferente, mas é um filme sem identidade. Quem viu vale registrar sua opinião aqui, quem ainda não viu aconselho esperar sair em DVD ou Blu-Ray. Na boa, não vale a pena gastar o ingresso nem a gasolina até o cinema, você pode sair com dor de cabeça, paranoias e sintomas de RAIVA!