Por Tatiane Lucena
O segundo filme da Saga Crepúsculo finalmente chega aos cinemas depois de um ano de expectativa para acalmar os corações que já se renderam ao amor proibido de Bella e Edward. Kristen Stewart, Robert Pattinson e o super malhado Taylor Lautner voltam aos seus papeis em Lua Nova (New Moon).
Neste filme vemos que depois dos problemas iniciais o casal principal parece estar levando bem o relacionamento (dentro do possível para esta realidade), até que um infeliz incidente no aniversário de Bella (Kristen), na casa dos Cullen, tem um trágico desfecho, é então que Edward (Robert) percebe que não pode condená-la a conviver com risco de vida a cada momento.

Crepúsculo se inspira na linda história de amor do séc XVIII de Orgulho e Preconceito (Jane Austen), já em Lua Nova podemos ver que o enredo explora o universo shakesperiano de Romeu e Julieta, com direito ao final clássico onde um pensa que o amor de sua vida está morto e tenta se matar para aplacar sua dor... É onde acompanhamos com certo desconforto os clichês necessários para que o engano aconteça e nos perguntamos: porque em pleno século 21 ninguém pensou em dar um simples telefonema para a Itália?
Esta trama apresenta um excesso de melancolia, mas ela não podia fugir da história escrita no livro, que chega a representar a depressão profunda de Bella com algumas páginas vazias e este era um grande desafio para a o diretor Chris Weitz, que acabou resolvendo essa cena com mérito, no filme a situação foi mostrada com alguns giros 360° de câmera, onde visualizamos a paisagem da janela mudar e a personagem continuando igual, a imagem unida à canção Possibility (Lykke Li) foi à solução perfeita!
Para diminuir o sofrimento da pobre Bella (e arrancar mais gritos das fãs), Lua Nova nos apresenta o universo dos Lobisomens descamisados e quase que domesticados de Stephanie Meyer, no qual acompanhamos o desenvolvimento de outro amor que é o de Jacob (Taylor) por Bella, mas esse novo relacionamento não dura muito, pois logo ela abandona o cara para correr e “salvar” Edward da ira dos Volturi.
Os Volturi são uma espécie de guarda/governo dos imortais e trazem para a trama um pouco do clássico vampiresco que estávamos habituados, pois eles não se privam de matar humanos e vestir o pretinho básico. Alguns consideram as cenas na Itália com os sombrios Volturi um suspiro de profissionalismo diante de toda a dramatização ruim dos personagens principais da saga. Eu não concordo.

Lua Nova foi produzido muito rapidamente, pois ele não estava nos planos da Summit, mas como o sucesso do filme era quase garantido, a verba aumentou e contou com a inclusão de atores já consagrados, como o Michael Sheen (Aro), Christopher Heyerdahl (Marcus) e Dakota Fenning (Jane). A sequência trouxe também uma produção mais rica, como os lobos computadorizados que são bem legais e levaram boa parte da grana.

Para a direção a Summit preferiu não manter a Catherine Hardwicke e entregar o cargo ao Chris Weitz que foi politicamente correto, fazendo desta uma produção muito fiel ao livro e agradando a maioria dos fãs. O filme apresenta alguns deslizes, erros de continuidade básicos, mas o que incomoda a 99% dos espectadores é a cena ridícula da visão de Alice, em que Bela aparece como vampira correndo com Edward, aonde a única coisa que me vem à mente é Bambi saltitando, dá até vergonha de lembrar.

O clima do filme é dado pela coloração das cenas, em seu início com tons acinzentados numa paleta de cores frias para fazer ligação visual com o primeiro filme da franquia, mas, logo após a separação do casal protagonista, percebemos a mudança nas cores que passam a ser quentes, em tons amadeirados, que remetem a matilha de lobos. O filme tem um forte apelo emocional por se tratar de uma perda, como podemos notar em sua trilha sonora que é bem melancólica e infelizmente não tão boa quanto à de Crepúsculo.
Lua Nova quebrou alguns recordes de bilheteria e apesar de ter recebido muitas críticas negativas, cumpriu seu papel de satisfazer aos fãs e engajar novos admiradores para esta saga milionária. Agora é só suspirar com o pedido de casamento meio inusitado depois de uma quase briga entre dois seres mitológicos e esperar as emoções de Eclipse.
Curiosidade: Forse il vostro uno L'altro = Talvez ela seja a sua metade (Aro sobre Bella para Edward)