Por Tatiane Lucena
Em 2010 retornou às telonas a franquia milionária, A Saga Crepúsculo – Eclipse, já considerada um fenômeno entre jovens e adultos. A estreia, como sempre, fez a alegria de muitos, mas trouxe em sua bagagem algumas mudanças que não agradaram aos fãs mais extremistas.

O conflito real enfrentado pelos personagens em Eclipse é a volta de Victoria (Bryce Dallas Howard), esta busca vingança pelo seu companheiro que foi morto por Edward (Robert Pattinson), fato ocorrido no primeiro filme. Seu plano consiste em cria um exército de novos vampiros, os recém-criados que são muito fortes e imaturos. Assim a família Cullen tem de se unir aos Lobos para proteger todos os habitantes da cidadezinha de Forks, principalmente Bella (Kristen Stewart).
O filme veio do terceiro livro escrito por Stephenie Meyer para a saga, com uma clara inspiração ao drama-romântico O Morro dos Ventos Uivantes (obra clássica de Emily Bronte). Assim em Eclipse podemos ver um pouco dos personagens Catherine e Heathcliff em Bella e Edward, que aparecem com algumas pitadas de egoísmo, sagacidade e até maldade. O que assistimos é a evolução emocional das personagens, os dois saem da “perfeição” e encaram seus defeitos e verdades. Ela irá lidar com um tipo diferente de amor por Jacob (Taylor Lautner) e com a traição. Já Edward terá que aprender a controlar o ciúme, o que faz aflorar seu lado mais sarcástico e meio perverso.
Essas mudanças das personagens são presenciadas de forma mais efetiva no livro, pois no filme é perceptível que houve mudanças, só que ficam meio confusas para alguns expectadores. Edward, por exemplo, em algumas cenas parece ser um namorado traído que aceita a situação sem revidar, mas na lógica de seu personagem ele ainda está aprendendo o que é o ciúme, sentimento nunca antes vivenciado por ele, #momentoterapia.
Jacob é a imaturidade em pessoa, ele traz para o filme muita jovialidade - e músculos, claro! Para este personagem as coisas são simples, apesar de se transformar em lobo nas horas vagas, ele oferece a Bella uma vida mais “normal” ao seu lado e tenta a todo custo roubar ela do vampiro com planos quase que infantis para sua idade.

Para dirigir o longa foi chamado o diretor David Slade (30 Dias De Noite e Menina Má.com), a primeira vista esta escolha gerou um certo receio por seu histórico cinematográfico ser meio obscuro, com filmes de terror e suspenses, o que não combina em nada com os vampiros e lobisomens de bom coração de Sra. Meyer, mas para a surpresa de muitos a parceria deu certo e Eclipse ganhou um ar mais sombrio e não tão meloso quanto foi o antecessor Lua Nova. Apesar de Chris Weitz (diretor de Lua Nova) ter auxiliado nesta produção também.
Outra mudança que desagradou muita gente foi a troca da carismática atriz Rachelle Lefèvre pela Bryce Dallas Howard para o papel da vampira Victoria.. A explicação que foi dada pela Summit diz que Rachelle tinha fechado contrato com outro filme e não poderia cumprir os prazos para Eclipse. É claro que a atriz rebateu as declarações, mas ao fim de todo o disse me disse quem levou a melhor foi a Dallas, quer dizer... Ela entrou nessa franquia, mas a verdade é que tanto sua caracterização quanto atuação deixaram um pouco a desejar e tudo isso rendeu muito falatório.

E por falar em caracterização, os probleminhas de Eclipse não param com a simples troca de uma atriz, pois na época das gravações Kristen tinha acabado filmar The Runaway, interpretando a rockeira Joan Jett, e pra este papel a nossa Bella pintou o cabelo de preto e cortou um repicado bem curtinho, para o desespero dos produtores da Summit que se arrependeram muito de não ter incluído no contrato a cláusula que poderia impedir essa ousadia da Kiki.

Para cobrir as madeixas rebeldes da Kristen a solução foi acionar o departamento de perucas pra tentar reconstruir o lindo cabelo de Bella, o problema é que os encarregados disso não mandaram muito bem. Resultado: as perucas que vemos em Eclipse causam uma boa dose de vergonha-alheia e não é só na Bella, nossa nova Victoria traz uma cabeleira tão confusa quanto à atuação da Bryce.
Os dois personagens que merecem destaque, por sua evolução no visual ter sido totalmente positiva, são Rosalie (Nikki Reed) e Jasper (Jackson Rathbone), o passado deles rendem bons momentos neste filme, contando suas histórias antes da família Cullen.

O melhor momento para a nação fanática por esta série se passa aqui em Eclipse, pois temos o deleite de ver o pedido de casamento oficializado, com direito à aliança e alguns amaços do casal protagonista. Pena que o clima quente não dura muito, pois nosso amado vampiro celibatário quer manter a tradição e levar Bella ao altar ainda virgem, é meio tenso se tivermos uma visão do século 21, só que ainda assim compreendo a lógica desta situação. Não querendo justificar, mas Edward viveu até 1918, então sua cabeça ainda carrega muitas crenças antigas, ele é “old school”. Claro que há quem diga que tudo isso é só uma desculpa, pois na verdade a influência vem mesmo é das crenças religiosas da autora, mas isso é assunto pra outro artigo.

Eclipse nos deixa com gostinho de quero mais e contanto os dias para poder ver o casamento e a tão sonhada lua de mel no Brasil, que Amanhecer - Parte 1 vai trazer. Só nos resta mesmo é torcer para que o próximo diretor contratado faça até melhor que o Slade e esperar para 17 de novembro chegar logo!