Por Mônica Melo
Eu sempre gostei de vampiros. Aqueles seres extremamente sedutores, condenados a vagar pelas noites em busca de sangue humano e tão suscetíveis a coisas simples como água benta, alho, crucifixos e a luz do sol. Criaturas mórbidas e ao mesmo tempo sensuais, cruéis e apaixonadas. Todas essas dicotomias me encantaram na adolescência e idade adulta também.

A primeira vez que vi o livro de Stephenie Meyer achei a capa linda e logo me interessei, mas ao começar a ler a contracapa torci o nariz e larguei o exemplar. Meses depois minha irmã ganhou um e eu decidi me aventurar na leitura. Para começar, os méritos literários da autora são mínimos (não li o original em inglês então não sei se ela escreve mal mesmo ou se é o tradutor que é ruim), mas isso não foi o pior.

O livro prende. Por alguma razão que nem Freud deve explicar, você não consegue deixar a leitura incompleta: tem que saber como aquele samba do vampiro doido termina. Como o estilo é pobre, você vai lendo facinho facinho, como se fosse um gibi e nem sente.
Porém o motivo maior para torcer o nariz foi a distorção de toda a mitologia vampiresca, que sempre foi o que mais me fascinou neles. Que história é essa de vampiro fluorescente que fica purpurinado quando sai ao sol?

Contradição um: vampiro que é vampiro não vira purpurina, queima bonito e morre se exposto ao sol. Contradição dois: os vampiros são atraentes, mas não são bonitos - vê se Alice mete medo em alguém?. Alguns dizem que vampiro não ama, já aí eu discordo, no fundo no fundo, acredito que o Drácula queria algo além do sangue de Diana. Mas os vampiros não são bonitinhos. Eles sempre são acompanhados do lado mais macabro do sexo, da loucura e da morte. Não se explica na Saga os motivos pelos quais os vampiros não têm alma, sendo alguns deles tão bonzinhos e porque é tão ruim assim no final das contas ser um imortal? Eu só vi vantagens. Como eles sabem que não tem alma? Eu também não sei se isso existe e se tenho uma.
O Drácula é selvagem e totalmente consumido pela volúpia, enquanto o Edward é celibatário, um verdadeiro lord. Drácula manda a ética amorosa paras cucuias, enquanto Edward é a encarnação do cavaleiro medieval que nunca existiu de fato. Vampiro que é vampiro não tem sombra e não se vê no espelho. O vampiro é a imagem da violência do desejo. Não vejo isso na obra. Bom, após me xingar muito, há quem queira justificar as inspirações vampirescas da Meyer. Os vampiros dela realmente encontram eco em alguns aspectos com outros lendários dos séculos 17 e 18, mas preferi me deter ao Drácula que se tornou um ícone eterno quando se trata de bebedores de sangue clássicos e que construíram uma mitologia muito mais interessante e lógica, mesmo se tratando de personagens e histórias que permeiam a fantasia.
Nome: Wilker Jeymisson
Comentário: Discordo plenamente de tudo
Nome: Mayara Souza
Comentário: Concordo plenamente com tudo. De fato, aos meus 17 anos (tenho 20 hoje) estava fascinada com a saga, pois não conhecia outras obras sobre o tema. Contudo, após a leitura de vários livros, posso dizer hoje que os vampiros da referida autora fogem quase totalmente ao esteriótipo vampirico milinar difundido mundialmente pelos povos eslavos. Nada se compara a um livro com Dracula de Bram Stoker e Entrevista com o vampiro da Anne Rice
Nome: Mayara Souza
Comentário: Concordo plenamente com tudo