Por Ingrid Heckler
Você faz parte da turma que não para de trabalhar? Milhões de atividades simultâneas que enlouquecem e aquecem seu cotidiano, fazendo da sua vida uma grande corrida contra o tempo? Pois bem, se você já vive isso todo dia certamente sentirá alguma identificação com a trama ou ao menos com o sentimento que o filme Não Sei Como Ela Consegue traz.

Tecnicamente o filme é bem redondinho, ou seja, não traz nada de novo. Em vários momentos apresenta elementos para uma comédia romântica, o que deixa um pouco confuso e superficial o objetivo da trama no final das contas. Estamos diante mesmo de uma comédia pura e simples, mas que tem êxito neste quesito em poucos momentos, resultando em uma proposta bem fraquinha para o gênero.
A ideia aqui é convidar o público a mergulhar na vida da personagem Kate Reddy, interpretada por Sarah Jessica Parker, que vive um cotidiano alucinante, no mínimo impossível. Então acompanhamos como ela tenta superar os desafios de cuidar de sua família e ao mesmo tempo atingir todas as metas profissionais, que sua exigente carreira lhe cobra todos os dias. Assim a história vai se desenrolando em um ritmo bem frenético e narrado o tempo todo por Kate ao melhor estilo manual de sobrevivência, repleto de dicas de como se safar das situações mais atípicas. Ela literalmente conversa com o espectador, principalmente o modelo: mulher moderna, mãe de família e workaholic.


Como em tantas produções de comédia, o filme tenta pegar situações comuns e agregar muita confusão e maluquice, com um tom bem sessão da tarde, para que você ache graça das desgraças que a personagem de Sarah vive. Algumas cenas podem até tirar algum sorriso seu, mas o saldo certamente será abaixo do esperado. Mas em um quesito o filme é certamente bem-sucedido: de mostrar o estresse diário vivido por Kate. Está aí um grande BINGO! São tantas atividades desenvolvidas pela protagonista que ao invés do longa se tornar uma diversão acaba cansando quem assiste, causando o efeito contrário ao qual deveria ter, ou seja, entreter e relaxar.
“Não Sei Como Ela Consegue” é dirigido por Douglas McGrath, que possui em seu currículo seis filmes, a maioria deles comédias tão fraquinhas quanta esta - como Emma (1996), na qual Gwyneth Paltrow interpreta o papel homônimo do livro de Jane Austen. Mesmo assim é preciso ponderar que Emma consegue ser muito mais simpático e original do que este trabalho atual do diretor, que se assemelha a tantos outros produzidos pela indústria de Hollywood. Fora isso, há bons nomes no elenco como Pierce Brosnan, Greg Kinnear e Christina Hendricks (da série Mad Men).

Analisando de forma capitalista o filme surge com o propósito de tentar divertir a família ou mulheres que apresentem um cotidiano parecido e garantir uma bilheteria rentável, mas, acima de tudo, pagar as contas destes atores, que com toda certeza estavam precisando de alguma grana, mas que profissionalmente não precisavam ter feito esta bombinha. Sim, porque nem o status de ruim ele merece. Fica em um meio termo indigesto, pois apresenta uma história muito genérica e sem personalidade. Tipo do filme que rapidamente você esquece que assistiu. Aliás, como já disse, a história cansa e no final das contas o máximo que irá conseguir é uma dorzinha de cabeça.
“Não Sei Como Ela Consegue” é recomendado para ser visto em DVD ou quando não tiver mais nada de interessante passando em outro canal de TV (aberta ou fechada). Não vale o ingresso do cinema, nem mesmo em dia promocional.
E você: gostou do novo filme de Sarah Jessica Parker? Compartilha da mesma dor de cabeça que tive?