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Publicado em: 26/02/2010

Coraline e o Mundo Secreto é uma preciosidade do universo animado, a experiência de assistir esse espécime do stop-motion é fantástica e se caracteriza como mais um concorrente a melhor animação ao Oscar 2010.

 

 

Para começar, o título do longa não mente quando fala do Mundo Secreto, que não é apenas em relação ao universo paralelo encontrado pela protagonista, mas pelo mundo particular e incrivelmente fascinante ao qual Coraline vive. Sua imaginação aguçada e espírito de aventura são ingredientes suficientes para desenvolver uma trama cativante e extremamente sensível, isso em todos os sentidos. No entanto, não encare sensível como algo parado e sem sobressaltos, pois este longa não é para criancinhas, uma vez que possui um lado bem sombrio e um suspense mais que presente em toda sua história.

 

Muitos comparam esta produção com O Estranho Mundo de Jack. Não é à toa que isso acontece, mas o engano vem ao achar que a relação entre esses filmes se chama Tim Burton, não mesmo, se chama Henry Selick (o diretor de ambos os filmes).

 

 

Baseado num livro de Neil Gaiman, Selick teve a destreza e cuidado em retratar fielmente a história com pequenos ajustes necessários ao entendimento do público, detalhando melhor a personalidade e conflitos vividos por Coraline. A exemplo disso foi criado um novo personagem na trama (Wybie Lovat), para demonstrar de forma mais clara as atitudes e pensamentos da protagonista, não a deixando tão sozinha quanto no livro. Fora outros detalhes, como o passado da residência Palácio Cor-de-Rosa, entre outros; porém, nada que comprometa a história e sim a torne melhor no sentido de compor uma narração mais precisa e eficiente.

 

O mais bacana deste filme é poder observar pela primeira vez a união da tecnologia 3-D com um belíssimo e competente roteiro, além é claro do “pequeno” detalhe de que todo o longa é feito através da técnica stop-motion. Todo o trabalho desenvolvido é realizado com tanto esmero e dedicação que cada cena parece palpável aos mínimos detalhes que possui. Refiro-me desde aos caracteres iniciais bordados a mão, passando pelas fortes e sutis expressões de seus personagens, ao pelo do gato sujo de lama, até o florescer encantador de todo um jardim (em que flor a flor surge de maneira mágica e perfeita). São tantos os pormenores encontrados em cada cena, que cada vez que se vê novamente se encontrará novos elementos que enriquecem ainda mais a história, além é claro, de evidenciar novamente o primoroso trabalho desenvolvido por Selick.

 

Só para lembrar aos desavisados, Coraline conta uma aventura sombria vivida por uma menina cujo nome é o título desta fábula. Ela está entediada, pois acabou de se mudar para um novo e diferente lugar, não conhece ninguém e não tem muito que fazer. Em meio a esta realidade ela resolve aceitar a dica do pai e explorar a nova casa. Neste processo descobre uma pequena porta, a passagem para um universo paralelo, em que do outro lado existe uma cópia de seu mundo, entretanto muito mais colorido e atraente. Lá ela encontra seus “outros pais”, que apresentam uma “pequena” diferença dos verdadeiros, pois eles no lugar dos olhos possuem botões. E tudo vai indo muito bem até que esses outros pais resolvem intimar Coraline a aceitar seus olhos de botão.

 

No elenco de vozes temos a prodígio Dakota Fanning (que ficou com a protagonista), Teri Hatcher e John Hodgman (que ficaram com os pais workaholics). A trilha sonora do compositor francês Bruno Coulais é encantadora e nos envolve criando uma atmosfera mágica, exaltando desde os momentos mais tensos aos mais sensíveis. Nas canções podemos apreciar o excelente trabalho da banda They Might Be Giants.

 

Até hoje, nunca se viu uma animação em 3-D que tivesse uma trama sólida e bem amarrada, utilizando esta tecnologia como uma ênfase precisa nos momentos em que se faz necessário. O que se observa, geralmente, é a criação de uma história que possua cenas interessantes para mostrar o potencial do 3-D; quando isso acontece perde-se o fio da meada e o roteiro se apresenta fraco e falho. Mas, isso não ocorre com Coraline, tudo na trama foi muito bem calculado e pensado, para que nada saísse do ponto. Por exemplo, o que assusta a protagonista lhe assusta, existe um porque para o uso desta tecnologia, algo pertinente à história e que, de maneira perfeita, torna este longa inesquecível.

 

Assistam o trailer abaixo e vejam mais imagens do longa na galeria de imagens:

 

 

Trailer de Coraline

Por Ingrid Heckler

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