Publicado em: 27/02/2010
Desde de 2008, quando começaram a surgir as primeiras imagens de UP, este filme prometia trazer algo novo, mas isso era apenas uma sensação, no mais parecia ser uma história interessante e engraçada. Mas, será que iria superar o genial Wall-E, afinal este se apresentou tão emocional e brilhante em todos os sentidos, sendo cativante desde os mais ínfimos detalhes. Pois é, mas a Pixar não está para brincadeira e a cada produção mostra porque é um dos melhores estúdios de animação, porque sempre vai aonde os outros não ousam em ir, levando mais do que entretenimento através de suas histórias, levando uma mensagem profunda e emocionante, capaz de derreter o mais duro dos corações.

Pôster do filme.
UP – Altas Aventuras era um filme mais que esperado por demonstrar ser divertido e muito fofo, a dupla que conduziria a trama anunciava o inusitado: um senhor ranzinza de 78 anos e um escoteirinho superanimado de 8 . Imaginar as encrencas e as mais loucas situações, que esses dois iam viver juntos era algo previsível. No entanto, o que não estava em primeiro plano, em todos os trailers e imagens divulgadas, era o tamanho da emoção contida neste filme, que assim como Wall-E carrega em cada detalhe, seja nas roupas, cenário, paisagem ou na mochila do mini-escoteiro, nuances que vão apresentando a história de maneira única e envolvente.

Carl Fredricksen e Ellie
Assim, o longa abre contando sobre a vida do senhor Carl Fredricksen, mostrando de forma doce toda sua vida ao lado de sua esposa Ellie, mostrando sua felicidade e companheirismo, porém durante esse tempo algo que ele havia prometido a ela não havia sido cumprido: uma grande aventura. Ao perder a esposa, Carl se torna um senhor amargo e ranzinza, contudo resolve pela primeira vez na vida arriscar e viver por ela algo novo e totalmente louco. Assim, este simpático e aposentado vendedor de balões enche sua casa dos mesmos e a transforma num dirigível residencial colorido. O que ele não esperava era carregar consigo um escoteirinho aplicado e cheio de energia chamado Russell. Os dois se transformam numa dupla que surpreendentemente se completam e ensinam questões valiosas um ao outro. Vejam no final da matéria mais imagens do longa.

Carl e Russell
É incrível observar os diferentes tons e sentimentos que surgem a cada pequena e singela expressão dos personagens, revelando uma mensagem poderosa, se tornando uma lição e principalmente sendo uma prova viva de algo que sempre repito aqui, de que animação não é um gênero e sim um formato belíssimo e perfeito para se contar as mais diferentes histórias. UP é um filme completo, não é á toa que concorre ao Oscar por melhor roteiro original, edição de som, trilha sonora original, além de melhor filme e animação, sendo o favorito por este último. É uma produção que traz como poucas (talvez apenas Wall-E) uma tamanha profundidade em seus personagens ganhando de muito filme live-action por aí. E não se assuste se você sentir um nó na garganta e se emocionar ao ver o longa, provavelmente você não será o único.
A cena em que Carl lê o diário da esposa é de fazer chorar qualquer pessoa metida a durona. Ou a cena em que Russell fala sobre seus problemas familiares, é tudo muito fofo e intenso, aflorando os sentimentos de todos que ficam surpresos ao perceber a complexidade do material a que estão expostos. Outro que se destaca é cachorro falante Doug, ele é muito bom! Vale ressaltar a dublagem de Chico Anísio que nos trailers parecia não haver se encaixado tão bem, mas que no filme mostrou-se perfeita. Outro ponto alto é trilha sonora que envolve o expectador de uma maneira incrível, ajudando também a dar o tom certo da alegria e tristeza, tão bem trabalhados.
Uma interessante característica do longa é a de não mastigar toda trama em diálogos e sim deixar muitas coisas subentendidas, aumentando ainda mais o tom dramático que existe no filme. Mais do que tudo a nova produção da Pixar traz o ingrediente da sensibilidade de forma inteligente e perspicaz, sendo extremamente engraçado e perfeito a cada frame exibido na tela. Mas isso é a Pixar, não é mesmo? Um estúdio, que como poucos, investe na arte, lógico que visa o lucro, pois é uma empresa. Mas, definitivamente, não é só isso. Senão o resultado não seria esse. E é aí que reside o diferencial, pois a cada produção eles trazem um algo a mais que não se vê usualmente nas produções americanas.
Trailer de UP – Altas Aventuras
Peter Docter (diretor) provou mais uma vez sua excelência, assinando mais uma obra prima desta empresa, que não se cansa de nos surpreender e se superar. Parece que não há limites para Pixar e tomara que isso dure muito tempo, pois filmes como esses são um presente, obras que sempre serão lembradas, por carregarem uma história fantástica sendo muito mais do que um mero entretenimento.
E você, já assistiu UP – Altas Aventuras? Acha que leva um Oscar para casa?
Por Ingrid Heckler