Por Mônica Melo
Durante os 109 minutos do filme Margin Call - O Dia Antes do Fim, o sentimento mais presente é o de tensão. Você sabe que meteoros não cairão do céu em torrente, que a lua não vai se chocar com a terra e nem terremotos mortais sacudirão todo o planeta, mas você sente como se realmente o mundo tal qual conhecemos fosse acabar a qualquer instante.

Tudo contribui para isso em termos técnicos: os jogos de câmera, a luz, a fotografia, os planos, tudo deixa você preparado para o Armagedom. Antes que você comece a pensar que é um filme sobre o fim do mundo, esclareço: não, não é. Quer dizer, mais ou menos. Não é o fim do mundo físico, mas de um mundo cuja ruína pode destruir vidas com uma força devastadora: o mundo financeiro.
A trama envolve funcionários de uma empresa de investimento durante um período de 12 horas, na fase inicial da crise financeira de 2008, quando o analista de operações Peter Sullivan acessa informações que podem revelar a queda da empresa. Uma montanha russa de decisões financeiras e morais empurra a vida de todos os envolvidos para a beira de um desastre. E todo mundo viu o que aconteceu quando a bomba explodiu: o fim do mundo mesmo. Muitas pessoas perderam seus empregos, suas casas, teve gente que se suicidou, que foi morar na rua, enfim um caos que perdura até hoje em uma crise que vemos todas as noites nos telejornais e não dá a mínima pinta de que pretende ir embora tão cedo.

Por se passar em apenas 12 horas, essas horas são mostradas quase em tempo real, por isso algumas vezes o filme tem o clima lento. Imagine a situação: o que você faria se soubesse que o mundo acabaria amanhã? É justamente assim que os protagonistas do filme se comportam, com a melancolia de um último dia de vida, da partida, da despedida, a incerteza absoluta do que o futuro reserva.
Apesar de não ser esse o foco, você vê na desesperança de um único funcionário que perdeu seu emprego o drama de todos os outros. Os atores estão todos muito bem, com o desespero e desesperança na medida certa. O elenco também é poderoso: Kevin Spacey, Jeremy Irons, Paul Bettany, Stanley Tucci e Demi Moore.

Se você espera um dramalhão, não assista, se você quer um filme de ação, escolha outro. O longa mostra a fragilidade do mercado financeiro e como pessoas sem escrúpulos manipulam-se mutuamente. O quanto gente sem competência e caráter vai parar em cargos que representam grandes perigos. E o pior de tudo: esse joguinho sujo respingou em todos nós.
Mas nem tudo são flores. O filme é chaaaaaaaaaaaaato, muito chato! Apesar de ser interessante o tema, os diálogos são intermináveis e dá muito sono.Todo mundo já sabe como o filme acaba, o que dá ainda mais vontade de dormir. Isso porque a gente já sabe que o final não está sendo nada feliz até hoje, na primeira cena do filme você já sabe disso, então não há reviravoltas, não há possibilidades de outros fins. Mas o filme te engana. O clima que ele tem te envolve, te dá a impressão de que algo tão grandioso vai acontecer que até mesmo a crise internacional pareceria fichinha. E o filme é basicamente feito de palavras, não há ação, só diálogos. Recomendo ver com uma garrafa de café ao lado.