Publicado em: 02/03/2010
Viver é fácil, conviver é o verdadeiro desafio, ou como no dito popular o difícil. Levamos uma vida inteira para aprimorarmos nossos relacionamentos, somos envolvidos por alegrias, frustrações, indo da satisfação ao desapontamento. A prática nos encaminha ao amadurecimento, o caminho para chegar até esse ponto, geralmente mistura dois cenários, o primeiro repleto de amor e os prazeres da vida, e o segundo o sofrimento em seus mais variados níveis. E assim vamos seguindo, uma hora lá em cima outra em baixo. E é analisando exatamente esse processo que o filme inglês Educação se destaca.

Pôster do filme
Ambientado em Londres (1960), o longa-metragem traz a história de Jenny (Carey Mulligan), uma adolescente de 16 anos, que embora leve uma vida entediante, já tem seus planos muito bem traçados para o futuro: entrar para uma faculdade de renome e ser alguém na vida. Esforçada, não é à toa ser a primeira aluna de sua sala. Seus pais, pertencentes a uma classe média mais humilde (digamos...) tentam ser rígidos e manter a inocente menina na linha, mas tudo isso cai por terra quando ela conhece David (Peter Sarsgaard), um homem mais velho que faz o gênero playboy. Na realidade até seus pais acabam cedendo ao charme deste intrigante homem. Já Jenny, se apaixona completamente, afinal ele mostra a ela um mundo a qual ela apenas sonhava.

Dirigido por Lone Scherfig e com um roteiro de Nick Hornby, Educação, ressalta a perda gradual da ingenuidade numa pessoa, a manipulação como uma desculpa para as satisfações, a paixão e (claro) a realidade. Porém, tudo isso é contado com uma intensidade romântica morna, ou seja, o romance tipicamente inglês, salvando aí o fato de trabalhar em seus diálogos algumas sacadas irônicas bem acertadas, isso quanto às descobertas da protagonista.

Interessante que o começo do filme, os créditos iniciais, abre com uma música bem contagiante criando um clima alto astral, envolto no universo colegial, mas essa impressão só dura enquanto dura a canção, depois toda alegria inserida vai sendo retirada pouco a pouco. Mesmo assim, desde o início do filme até sua virada na história, percebemos um ritmo, um tanto parado às vezes (é verdade), mas capaz de seduzir você que acompanha Jenny em sua trajetória.

Há uma crítica clara e interessante à fatia mais conservadora da sociedade inglesa, que força seus jovens a decidirem suas carreiras muito cedo, contudo sendo capazes de apresentar outros pesos e medidas morais, quando “boas” oportunidades surgem. Logicamente, que hoje a situação não é mesma, mas os resquícios que ainda perpetuam são o alvo desta discussão, que destaca ainda o machismo ao achar que a solução de tudo pode estar num casamento.
O filme no geral é bom. Bons atores, direção e diálogos. Mas, não surpreende em sua mensagem. Sendo algo que você já viu. Talvez o lugar comum a que o filme chegou justifique o fato dele quase não ter saído do papel, pois é! Demonstrando certa rejeição dos estúdios, mesmo havendo sendo sido considerado pela crítica internacional uma boa história. O longa foi incluído na lista de 2007 da Variety como um dos melhores roteiros britânicos não produzidos. Quem sabe o incentivo dos meios de comunicação tenha dado a força necessária para concretizar este trabalho, até porque não demorou muito tempo, depois disso, para que as filmagens começassem, mais precisamente entre março e abril de 2008, contudo chegando só agora no circuito internacional e por aqui também.
O ponto mais fraco do filme reside na forma abrupta como tudo se desenrolou em seu final. Tínhamos um desenvolvimento dentro de um ritmo interessante, porém depois da reviravolta principal os acontecimentos se sucedem de maneira muito rápida e quando você menos espera acabou. Senti esse processo como um corte seco, que acabou prejudicando a história. Mas veja bem, não estou defendendo aquele final estilo Senhor dos Anéis, que não acaba nunca, e sim ressaltando essa quebra na dramaticidade. Acelerar a narrativa pode prejudicar a trama, tirando o clima que foi sendo construído até ali.
Trailer de Educação
Para quem gosta de romances leves, com uma pitada de profundidade inglesa é uma boa pedida. Lembrando que este filme é um dos concorrentes ao Oscar 2010, certamente não um dos mais fortes, mas conta com 3 indicações, para: melhor filme, atriz - Carey Mulligan e roteiro adaptado. Agora é esperar para ver se o longa leva alguma estatueta para casa.
E você, o que acha? Gosta de romances nesse estilo?
Por Ingrid Heckler