Publicado em: 04/03/2010
A categoria melhor canção original é, talvez, o quesito que mais ousou na história da premiação. Claro que o conservadorismo do Oscar se manteve por muito tempo, e possui fortes raízes até hoje, entretanto é fato que algo mudou depois que a música do Eminem foi premiada. Ou seja, os membros da Academia estão aprendendo a enxergar além de suas convicções, abrindo suas mentes para o novo. Tirando amarras de preconceitos e abraçando novas formas de expressão.
Depois dessa abertura positiva, a verdade é que os indicados as melhores canções desse ano representam escolhas típicas do Oscar, não que isso seja ruim, mas podemos dizer que nessa 82ª edição do evento, as músicas estão do jeito que a Academia gosta. Só para começar há duas canções indicadas pelo mesmo filme, que é da Disney, mais Oscariano impossível.
O longa-metragem em questão é a animação A Princesa e o Sapo, uma produção em 2-D que marca a volta das clássicas histórias desse estúdio. Tendo, é claro, algumas diferenças do conto original. Esse filme traz uma trama engraçada e repleta de músicas (obviamente), sendo ambientalizada em New Orleans, o ritmo escolhido é o jazz, aquele clássico e cheio de energia.

Almost There é a primeira, apresentando um arranjo de jazz agradável aos ouvidos, possui um vocal aveludado, típico das musas da black music. A letra da canção é outro ponto positivo, destacando a determinação da personagem principal que diz estar “Quase lá” para realizar seus sonhos. Ainda temos um piano animado e um toque de bateria contagiante.
Down in New Orleans já carrega um tom mais emocional em seu início, sendo a segunda canção concorrente por A Princesa e o Sapo. Aqui a voz da diva ganha mais destaque, com melodias lentas, mas que evoluem proporcionando uma virada animada, carregando mais no jazz, apresentando muitos saxofones e trompetes afetados. Além, é claro, do piano fervendo ao som do mais puro ritmo sulista americano, produzido em meados de 1900.

O filme Paris 36 é um longa-metragem francês que retrata o poder do teatro na vida das pessoas. Contudo os tempos são difíceis, e entre tantos acontecimentos obscuros, este espaço acaba sendo fechado. Política, violência e restrições. Era preciso trazer uma voz de volta, uma ideia ou canção que fizesse todos se sentirem bem novamente. E mais do que isso, unir o povo com sua nação. Com este ideal foi composta a música Loin de Paname, que apresenta um vocal feminino forte com um timbre a lá Piaf, sem esquecer o bem trabalhado acordeon. Esses dois elementos criam uma canção que traduz o amor que se tem por seu país e do tipo que consegue levantar o astral e não sai da cabeça.

Expondo um jazz mais pervertido e totalmente no estilo Broadway a canção Take it All, consegue trabalhar muito bem a malícia e cinismo camuflado pela busca da inspiração, caso específico vivido pelo abusado diretor italiano: Guido Contini (Daniel Day-Lewis). Quem interpreta a canção é a competente atriz Marion Cotilard, que utiliza toda sua força e sensualidade para compor uma das melhores apresentações do filme.

O último indicado carrega toda melancolia que pode ser extraída de uma boa música country. Apontado como o favorito nessa categoria, a canção The Weary Kind, trabalha de forma consistente solados de violão, mesclando uma melodia suave com um vocal rouco e calmo, que traduz essa sensação nostálgica e triste. Lembrando que, a música é proveniente do filme Coração Louco, onde Jeff Bridges também é favorito a conquistar o prêmio de melhor ator. Vejam e ouçam abaixo uma amostra das canções:
Veja e escute os indicados
Mas e você, já tem seu favorito nessa categoria?
Por Ingrid Heckler
Nome: cinthia
Comentário: meus parabens pela obra de arte