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  • Os Homens Que Não Amavam As Mulheres I Crítica

Por Ingrid Heckler

Publicado em: 28/01/2012

Está aí uma coisa que me incomoda em adaptações americanas: porque Hollywood adora enfraquecer personagens femininas motherfuckers? Tenho uma teoria. Ao que tudo indica em nome das bilheterias os produtores, roteiristas e diretores não tem coragem de ir realmente fundo como a trama pede. Só mesmo outras nações para fazer produções que são um verdadeiro soco no estômago, como Oldboy, por exemplo. Quando que a indústria americana ousaria fazer um filme assim? Tudo bem que os boatos sobre as severas mudanças ocorridas no roteiro de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres de David Fincher, afinal, não foram tão graves assim, o principal está lá. Mas ao término do filme fica uma sensação de vazio, e isto se deve ao grande erro cometido pelo diretor e roteirista, o de enfraquecer a personagem Lisbeth Salander.

 

Tá certo que se você nunca leu nenhum livro da trilogia Millenium e nem viu nenhuma de suas adaptações suecas – leia mais sobre estas produções aqui - pode achar exagero da minha parte, mas não é. Detalhes que vão sendo somados no decorrer do filme acabaram por construir uma Lisbeth mais sensível e que demonstra suas fraquezas, algo realmente lamentável.

 

A personagem em questão, na real, ou seja, na obra, quase não fala, tem um ar misterioso e muito sobre sua vida e passado só são revelados por ações ou descoberto por outros personagens. Lisbeth nunca abriria sua vida para alguém facilmente, nunca. Ela é fria, calcula seus passos com uma inteligência absurda e quando você pensa que a casa caiu se surpreende com sua coragem e perspicácia. Claro que a personagem tem seus altos e baixo e é por isso que sua caracterização é tão viceral e impactante, mas ela é a pessoa que está no comando e tem o maior controle de toda situação que se desenvolve ao seu redor, muito mais que Mickael, que na verdade teria que levantar as mãos para o céu por ter sua ajuda.

 

 

Mas o fato é que este destaque acabou dividido entre Rooney Mara (Lisbeth) e Daniel Craig (Mickael) e isso tornou o filme em muitos momentos frustrante. Afinal quem conhece Lisbeth queria ver ela dando fora em meio mundo e agindo sem dar a menor satisfação a ninguém. Outro fato desnecessário é o excesso de explicação em certas cenas, a impressão que dá é que os produtores americanos têm medo de deixar pontas soltas temendo que o público não entenda ou fique perdido - outra bola fora.

 

Talvez os diálogos a mais que Mara protagoniza tinham a missão de convencer melhor a audiência e a ela mesma de sua interpretação, aliás o sotaque desenvolvido pela atriz ficou um tanto estranho. Depois que o filme acaba fica apenas uma certeza: que ninguém supera Noomi Rapace que deu vida a hacker de maneira brilhante, isso nos filmes suecos, não é a toa que ela foi convidada para repetir o papel, mas recusou – uma pena!

 

Rooney Mara e Noomi Rapace

 

Contudo o longa não é feito só de decepções, a montagem que David Fincher trouxe deu um ritmo interessante a história, que ficou com jeito de thriller/ação.  Foi bacana também ver Lisbeth em ação com sua peruca loira por mais tempo.

 

Resumo da ópera: a versão de David Fincher não é um fiasco, ela tem uma qualidade técnica indiscutível (vide os créditos iniciais, sensacional) e certamente agradará, principalmente aos desavisados sobre a obra e suas outras adaptações. A história continua sendo excelente, mas isto é mérito único e exclusivo do autor Stieg Larsson. Poderia ter sido muito melhor. Nivelar Lisbeth e Mickael foi a pior coisa que poderia ter acontecido. Mesmo assim,  ficou lá no fundo uma curiosidade, quase masoquista, de ver a continuação de Fincher, apenas para saber: será que ele teria coragem de ousar de verdade nos filmes seguintes?

 

PS: Deixo aqui minha recomendação a todos para conferirem os filmes suecos - para saber mais sobre estas produções e história da trilogia Millennium clique aqui. Se você sentiu falta de uma sinopse relaxe, veja o trailer abaixo.

 

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