Por Ingrid Heckler

Antes de ganhar sua versão hollywoodiana, a trilogia criada pelo falecido jornalista Stieg Larsson foi adaptada para os cinemas, sendo uma produção de origem sueca, mesma nacionalidade do autor. Foi feito um filme para cada livro publicado e lançados na seguinte ordem: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. >>Leia a crítica a versão americana clicando aqui<<
A obra fez um enorme sucesso e adquiriu fãs por todo mundo, isso antes mesmo do lançamento desses filmes. E se você ainda não entendeu o porquê deste romance ter causado tanto interesse em diversos tipos de público, eu posso ajudar. Como toda boa trama policial a trilogia Millennium traz um enredo muito, mas muito bem construído, além de personagens fascinantes, um deles em especial é considerado um dos melhores já criados na atualidade - estou me referindo a Lisbeth Salander.
Investigações instigantes, repletas de surpresas e reviravoltas de última hora são um dos ingredientes deste sucesso, mas está na exposição crua da violência, viceral e intensa, o grande trunfo desta história – que revela sem meias palavras a sujeira escondida por debaixo do pano, mostrando que quando resolvemos mexer em algo que já está podre coisa muito pior pode sair dali ou despertar o lado mais perverso de seus envolvidos.
A história narra o envolvimento de um jornalista em uma investigação de um crime não solucionado, une-se a ele neste caso uma hacker e detetive particular. Sendo uma trama tão bem arquitetada e intensa o diretor dinamarquês Niels Arden Oplev não pensou duas vezes e seguiu a cartilha do autor de A a Z, ou seja, os filmes se apresentam extremamente fieis a obra. Nada é suavizado ou poupado para o público. No elenco, formado por atores suecos, os destaques vão para Michael Nyqvist e Noomi Rapace, que interpretaram respectivamente Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander.
O resultado foram três excelentes filmes, produções que apresentam uma sensação de thriller americano, mas que seguem um ritmo mais típico de longas europeus, ou seja, valoriza-se momentos contemplativos em que a interpretação crua do personagem ganha destaque, além de diálogos menos frenéticos para que a narrativa se desenvolva com calma. Contudo a montagem dos filmes, por seguir esta fórmula acaba tornando algumas cenas mais arrastadas e maçantes, mas há momentos mais acelerados em que a ação está mais presente. Um ponto positivo é que nada nestes filmes é de graça, toda cena tem um propósito e mesmo dando uma sensação de paradão a trilogia consegue satisfazer o espectador com maestria.
Vale abrir um espaço aqui para falar da magnífica interpretação da atriz Noomi Rapace na pele de Lisbeth. Ela realmente encarnou a hacker de corpo e alma, seus trejeitos, seu ar misterioso, seu olhar intenso (que ora diz mais que muitas palavras ora deixa você na dúvida) dão vida a esta personagem antológica. O legal das produções suecas é justamente isso, não ser tão verborrágico e criar muitas situações silenciosas, até porque Salander não é de falar muito e deixar o público esperando, sem saber já de cara o que ela pensa ou o que está planejando, é fundamental, afinal este é seu perfil e isto é brilhantemente seguido a risca, o que torna a história mais empolgante ainda.
E Lisbeth é tão importante assim porque depois do primeiro filme, nas histórias seguintes, ela acaba se tornando o centro de tudo e ganhando muito mais espaço na trama, fazendo jus ao status adquirido por tantos críticos, de ser a personagem feminina mais phoda dos últimos tempos.
Só para reforçar, os filmes suecos merecem ser vistos, pois acabam se tornando uma boa forma de conhecer as obras do excelente autor Stieg Larsson, que conseguiu deixar sua marca no gênero policial/suspense com uma criação única e impactante.