Por Mônica Melo
Ano passado escrevi aqui sobre a trilogia Millennium de autoria do falecido jornalista sueco Stieg Larsson formada pelos livros Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar. Que a trilogia virou filme todo mundo já sabe e o lançamento da primeira versão americana, referente A Garota da Tatuagem de Dragão (nome da obra literária nos Estados Unidos) aconteceu ano passado no hemisfério norte e chega hoje ao Brasil (27).

Por aqui muita gente ficou confuso no início, já que o título do livro em português não tem nada a ver com o título em inglês e portando nenhuma semelhança com o nome do filme, mas agora que já está tudo esclarecido, a expectativa é uma só. Muita gente está bem contente, já que se trata de uma trilogia e ainda dois filmes virão por aí, mas os mais pessimistas estão desapontados, pois devem saber que antes de morrer o autor deixou a sinopse de mais sete livros prontas, mas não deu tempo de escrever todos. O autor tinha apenas 50 anos de idade quando sofreu um ataque cardíaco, dias após ter entregado à editora os originais dos romances que já venderam mais de 15 milhões de exemplares.
O autor nasceu na impronunciável cidade sueca de Skelleftehamn. Ao contrário do que costumam ser os reclusos escritores do gênero, Larsson mais parecia um de seus personagens. Ele foi um jornalista bastante influente tendo trabalhado na agência de notícias TT. Além disso, era um ativista político ferrenho e reconhecido em seu país. Uma das causas que ele abraçou foi os direitos humanos, denunciando organizações neofacistas e racistas durante o período em que editou a revista Expo, fundada por ele. Isso lhe rendeu uma fileira imensa de inimigos poderosos e inúmeras ameaças de morte.

Stieg Larsson
É também coautor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita em seu país, que fez engordar ainda mais a sua lista de desamores. É de se imaginar que caso ele não tivesse sofrido um ataque, teria sido assassinado em bem pouco tempo. Sem desprezar sua competência literária, talvez por isso seus livros sejam tão envolventes, pela verossimilhança de suas narrativas, pois o suspense e a tensão que ele retrata em suas obras também cercavam sua vida. “Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade”, disse Larsson em um de seus livros.
O autor, que chegou a ser comparado pela crítica a Alexandre Dumas e Vitor Hugo - e isso não é para qualquer um - fumava, bebia e adorava uma junk food, continuou a gerar polêmica até mesmo após sua morte. Ele não deixou testamento e sua herança acabou indo parar nas mãos de seu pai e irmão, com os quais mal falava, deixando em maus lençóis sua companheira de mais de 30 anos Eva Gabrielsson, com quem não era legalmente casado.
Recentemente foi divulgado que vários outros manuscritos do autor foram encontrados e estão em poder da Biblioteca Nacional da Suécia. O material traria revelações sobre a intimidade do autor durante a juventude, por isso talvez a família opte por não publicar. A trilogia Millennium de Stieg Larsson foi traduzida para mais de 30 idiomas e transformada em filmes tanto na Suécia – duas dessas produções já estrearam por aqui, referentes aos dois primeiros livros – quanto para Hollywood, que não perde tempo e já fez sua primeira versão norte-americanas, ao que tudo indica fará as outras.