Por Ivo Maropo

Um herói, um capão, uma espada
Afinal, chegou. A partir do dia 23 deste mês, finalmente os felizardos proprietários do console branco da Nintendo poderão conferir se o “hype” de uma melhoria substancial da franquia Red Steel (de sua desastrosa primeira incursão no mundo dos games) é de fato procedente ou não. A resposta curta e objetiva é: sim.
Após um olhar (e jogar) mais extensivo, e conforme as horas de imersão foram passando, nossa experiência se mostrou ser de fato muito boa, e a aprovação, generalizada. Idos são os controles totalmente defectivos, e totalmente aquém do esperado, os gráficos com um pé visível em resquícios indesejáveis de gerações passadas (os infames “gráficos de Gamecube”), e uma história rasa e pouco desenvolvida – mesmo que neste último ponto o incremento não tenha sido tão decisivo.
O que se viu da continuação já está sendo chamado pela mídia especializada como “possivelmente, a franquia mais melhorada da história”, e a afirmação não nos parece ser de todo descabida, vã ou envolta em cego ufanismo.
O jogo, como muitos já devem saber, é uma tentativa corajosa de hibridizar Oriente e Ocidente na figura da espada (katana), e da “Colt” (arma de fogo) – como que para justificar o fato do nosso misterioso protagonista portar, uma em cada mão, ambas a espada e a pistola. Esta premissa, para se tornar crível, se encontra refletida e presente em todo o game, onde caracteres kanji estão por todos os cantos, e locações com dojos tipicamente Japoneses misturam-se convincentemente a uma espécie de “Arizona com ares de uma ‘Tóquio high-tech’”.
Video-review do site ign
As mudanças são tais – e tão drásticas – que só se justifica de forma mais enfática e racional a manutenção do nome da série por motivos mercadológicos, onde a familiaridade do título nos remete à 2005/2006, época em que a marca foi publicizada pela primeira vez – isto é, a propaganda já está dada, poupando à Ubi Soft (produtora do game) alguns preciosos e desgastantes esforços de divulgação da marca. Bem, para ser franco, também talvez pela ânsia de reverter o estigma que o primeiro gerou, onde a expectativa por se encarnar um espadachim foi por água abaixo devido a controles para lá de ineficientes.
O fato é que a inclusão (exclusiva) do acessório MotionPlus acresceu ao título das melhorias que demandavam os seus fãs, o fazendo o segundo melhor exemplo de lutas de espada no console – atrás apenas da precisão quase completa encontrada em Wii Sports Resort. No entanto, sobre este ponto convém explicar melhor.
Como o alardeado por seus próprios desenvolvedores, a jogabilidade do game precisou de certas limitações, afinal de contas, não se pode esperar que todos sejamos os melhores na arte da esgrima, ou que tenhamos todos familiaridade com lâminas super-cortantes. Foi preciso certo nível de pré-programação para que a diversão dos controles pudesse rimar com a sua possibilidade. Os que esperam por controles a lá Sports Resort, precisam reconsiderar o fato deste último ser repleto de mini-games de curta duração, ao invés do extenso modo estória repleto de inimigos de dificuldades distintas e reflexos bem mais ágeis e específicos como os desta continuação.
O fato dos controles apresentarem certo lag reflete esta decisão, vez que o jogo tem que transpor os golpes potencialmente erráticos e avulsos desferidos pelo jogador em somas de códigos já previamente calculados, para suprir a falta desta nossa natural habilidade ninja-samurai, e este parece ser um paradoxo que deverá “agraciar” a todos os esperançosos por esta tecnologia – do Move da Sony, ao Project Natal da Microsoft.

Exemplo de inimigo mais poderoso
Contudo, isto não ausentou e privou o jogo de golpes e combos os mais complicados, ou de execuções com boa assiduidade de precisão. Em Red Steel 2, a qualquer momento pode-se puxar um cano-duplo do capão de couro de seu herói alado e aliá-lo a cortes precisos de uma espada bem afiada. As armas, como de praxe na atualidade, também são frequentemente incrementáveis com novos anexos e adereços que visam melhorar-lhes a potência, a rapidez de tiro, a capacidade de carga e etc.
Os inimigos e personagens encontrados são bem diversificados e sortidos com diferentes níveis de dificuldade – em especial os chefes, que são uma atração à parte, e as seções (introduções e transições) em CG são, em geral, muito bem feitas e bem-humoradas – mesmo que bastante carregadas de clichês dos mais conhecidos e batidos.
No quesito som, o jogo também surpreende. Apresentando uma boa trilha sonora - que também intenta fusionar melodias Orientais a toques de Ocidente –, e efeitos de sonoplastia também bastante convincentes, o game só peca na vocalização dos personagens, que são também envoltos por clichês batidos e forçados, como que se gritassem indiscriminadamente a sua caracterização para nós – e como se não as já soubéssemos de forma tão auto-evidente na gritante natureza caricatural dos personagens.

Design artístico do game
Os gráficos, por sua vez, são alguns dos melhores já confeccionados para o Wii. Concebidos no consagrado e cartunesco estilo cel-shaded, a animação dos personagens é fluida e suave, as cores, vívidas, e as texturas, bem definidas e com rica variação (e rodando a estáveis sessenta quadros por segundo) – um primor de design artístico e de engine, que, por sinal, é uma modificada do jogo XIII da mesma produtora. Embora de uma beleza vistosa e surpreendente, os ambientes também são estéreis de maior interatividade e vivacidade generalizada, mais parecendo um deserto mais caprichado do que o mundo (habitado) que nos querem fazer crer existir os seus desenvolvedores – mesmo que só ficcionalmente.
A principal aposta dos produtores – fora curar as eventuais chagas de uma jogabilidade defeituosa – foi a de focarem-se num modo campanha bem arranjado e coeso – e que, para a infelicidade de muitos, acabou também por lhe sacrificar qualquer componente multiplayer, seja ele online ou offline.
Outro ponto negativo é a duração desta campanha – circulando nas imediações das oito/dez horas, não justificando muito bem a sua aquisição, já que, como o já dito, também é ausente de quaisquer componentes multiplayer, o que costuma estender consideravelmente a vida útil dos games sobre o leitor dos consoles, e na memória de seus compradores.
No mais, é um game que é, por fim, obrigatório de ser jogado. Seja ele como um aluguel de fim de semana dos mais entretidos, ou como uma aquisição mais duradoura. É, enfim, um título “third-party” do qual se orgulhar num console tão escasso de títulos de qualidade, que também recupera totalmente a sua credibilidade enquanto franquia, e que usa o MotionPlus convincentemente, de modo a lhe fazer alguma boa justiça. Bravo, Ubi Soft.
E aí, ansioso para o game?
Nome: renan
Comentário: gostaria d ter esse jogo