Por Pipoca Moderna
A crítica americana não se apaixonou novamente pela história de amor de Titanic. Os respeitados críticos Roger Ebert e David Poland foram convidados para uma première do relançamento, convertido em 3D, e teceram comentários muito negativos sobre o trabalho feito para trazer “Titanic” (1997) para o formato. Os textos ácidos chamaram atenção para detalhes técnicos que muitas vezes são suplantados pelo marketing e que, na verdade, estão por trás de um desencanto generalizado pelo 3D, que pôde ser conferido na queda de bilheteria dos filmes realizados no formato, ao longo do ano passado.

“Cameron tinha acabado de ser exaltado por ser um dos poucos diretores a usar o 3D sabiamente em ‘Avatar’ (2009). Mas ‘Titanic’ não foi filmado em 3D. Assim como você não pode embelezar um porco, não se pode tornar 2D em 3D. (…) O 3D proporciona uma notável perda de brilho na tela – alguns dizem que 20% a menos de brilho. Se você visse um filme ordinário que esmaeceu de tal forma, talvez reclamasse com a gerência do cinema. Mas com ‘Titanic’ você supostamente deve se sentir grato pela oportunidade de pagar uma sobretaxa por essa desfiguração. Se você estiver alerta a isso, você notará que vários planos e sequências nesta versão nem sequer estão em 3D, mas continuaram em 2D. Se você tirar seus óculos, as imagens saltarão da tela com uma melhora dramática no brilho. Eu sei o motivo do filme ser em 3D. É para justificar a sobretaxa. É um jeito pobre de se tratar uma obra-prima”, escreveu Ebert, indignado.
Já Poland foi menos inflamado em sua declaração, mas sem deixar de criticar o filme. “Eu me vi tentando tirar os óculos repetidas vezes. E aqui vai a razão: é como se eu estivesse assistindo ao filme através de um filtro. Chame do que quiser. Para mim, especialmente em ‘Titanic’, os pêlos quase invisíveis e a maquiagem sobre a acne de Kate Winslet, ou mesmo as pequenas pústulas no rosto de Leonardo DiCaprio, são parte da intimidade do filme. O filme tenta de todas as formas fazer com que cada detalhe esteja certo… Eu quero vê-los, inclusive as imperfeições. E com esses óculos, eu não pude. Alguns podem ficar felizes por não ver os detalhes, por ter a imagem suavizada. Mas não para mim. Essas pessoas (no filme) são lindas. Suas imperfeições são lindas”, comentou Poland.
O grande público poderá saber se concorda ou não com os críticos no dia 4 de abril, quando o filme terá sua estreia mundial.